A superlotação dos ônibus de Belo Horizonte é uma realidade para quem usa o transporte coletivo todos os dias, mas não para as empresas responsáveis pelas linhas. As pesquisas sobre a quantidade de passageiros transportados, necessárias para o ajuste da oferta de ônibus, são ignoradas pelas concessionárias. Obrigatórios por lei municipal, os estudos devem ser feitos a cada seis meses. Porém, há itinerários sem a atualização de dados desde 2008.

A constatação é da auditoria da Ernest e Young sobre o custos do transporte público da capital. Sem a pesquisa, as empresas não dispõem de informações sobre o excesso de lotação dos coletivos e não adequam a oferta de ônibus à demanda de usuários.

A consultoria cita no relatório que “a pesquisa mais recente foi realizada em maio de 2013 e a mais antiga, em setembro de 2008”. São 44 linhas que utilizam pesquisas realizadas há seis anos.

APERTO

Um dos efeitos da falta de informação é a saturação do sistema. Conforme o relatório, das 600.784 viagens realizadas em setembro do ano passado, 90.171 (15%) tiveram mais passageiros do que a capacidade máxima dos ônibus.

Segundo a BHTrans, os 3.083 coletivos da frota da capital transportam, em média, 36,6 milhões de passageiros por mês. As linhas com mais passageiros são 3503A (612.045 usuários/mês), 1502 (492.440), 9256 (429.978), 8001A (386.429), e 4802A (377.686).

Para o professor Nilson Tadeu Nunes, do Departamento de Engenharia de Transportes da UFMG, a pesquisa deve ser periódica, pois a demanda é dinâmica. “A tolerância padrão é uma ocupação de três a cinco pessoas por metro quadrado no coletivo. A BHTrans trabalha com sete a dez passageiros nesse mesmo espaço”, afirma.

O consultor em transporte e trânsito Silvestre Andrade Filho afirma que 15% das viagens acima da lotação máxima é um índice alto. A saída seria aumentar a quantidade de ônibus. “Colocar mais um ônibus para reforçar a linha significa mais custos de manutenção e operação para as empresas”.

A BHTrans, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) e o Ministério Público Estadual informaram que só irão se pronunciar após o fim da análise do relatório técnico final da auditoria. l