Sob o mote do cultivo de alimentos orgânicos e da difusão de uma produção alimentar livre de agrotóxicos, começa nesta quinta-feira (31) o IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), no Parque Municipal, em Belo Horizonte. O evento, uma grande feira aberta, repleta de alimentos orgânicos e de atividades gratuitas como seminários, oficinas culturais e exibição de filmes, vai até domingo (3).

Com o lema “Agroecologia e democracia unindo campo e cidade”, o ENA reúne dois mil produtores rurais, sendo metade mulheres. Ao todo, 100 barracas foram montadas no Parque Municipal oferecendo alimentação e mercadorias ao público, através da Feria de Saberes e Sabores. A culinária e a produção orgânica de cada estado brasileiro serão representadas por duas barracas — com exceção do Acre e do Mato Grosso do Sul, que terão, cada um, uma barraca. A feira acontece neste sábado (2), de 9h às 17h, e no domingo (3), de 9h às 13h.

Todos os dias, o evento realizará diversas plenárias, com debates e informações sobre temas que envolvem a produção agroecológica, como mudanças climáticas, conservação de fontes de água, agrotóxicos e transgênicos, sementes crioulas, juventude e feminismo, construção social de mercados no campo e na cidade e a reforma agrária e os conflitos vividos por povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.  

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Paulo Petersen, o evento é uma possibilidade para maior acesso ao público à cultura da agroecologia e também uma fonte de esclarecimento para refutar mitos sobre a alimentação industrializada, principalmente. "Este é um processo pouco visível porque são experiências localizadas e diversificadas entre si. Existe uma certa dificuldade em entender que práticas tão diferentes podem fazer parte de um mesmo tipo de ideia", argumenta o Paulo.

"Uma das principais narrativas do que a gente chama de falsa verdade é a que o agrotóxico é um mal necessário. Essas são afirmações que confundem o debate público. A agroecologia demonstra que isto não é verdade e que é possível produzir em qualidade, diversidade e quantidade sem uso de veneno. O agrotóxico é um elo de uma cadeia de alimentos que precisa ser rompido, mas as políticas públicas continuam induzindo para o fortalecimento desse modelo", completa.

Além da oferta de diversos alimentos, desde sementes, doces, farinhas, pães e muito mais, o ENA também apresenta uma variada programação cultural, com exibição de filmes e shows de artistas como Pereira da Viola, Sérgio Pererê, Sebastião Farinhada, Djalma X, Família de Rua e Batuque Beauvoir. No sábado, a partir das 19h30, ainda acontece o "OCUPEAgroecologia", evento cultural que vai reunir no Viaduto Santa Tereza influências do rap ao repente, como os artistas Coco da Gente e DJ Jeffinho.

No encerramento do ENA, haverá a realização de um ato público em defesa da agroecologia e da democracia, a partir das 8h, na Praça da Liberdade. O movimento vai oferecer um banquete aberto ao público, somente com alimentos orgânicos.

Veja a programação completa: www.enagroecologia.org.br