O atendimento no Hospital Júlia Kubitschek, que fica na região do Barreiro, em Belo Horizonte, foi reduzido a escala mínima nesta quinta-feira (9). Desde às 7 horas da manhã, enfermeiros que atuam na unidade de saúde fazem paralisação reivindicando melhores condições de trabalho. A principal alegação dos profissionais é sobrecarga de trabalho.

O movimento no hospital é intenso durante todo o ano, mas a situação teria sido agravada por causa da epidemia de dengue em Minas Gerais. "Em um período de 12 horas de plantão tem sido atendido, em média, 100 novos pacientes, além dos que já se encontram internados em macas aguardando leito", denuncia a Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg). Conforme o sindicato, o quadro defasado, em média 12 profissionais de enfermagem por plantão, coloca em risco a assistência prestada ao paciente.

O protesto desta quinta está previsto para encerrar às 19h e envolve apenas enfermeiros. A Asthemg declarou que os médicos não puderam aderir ao ato para não prejudicar o atendimento dos pacientes. Por volta das 9h, alguns profissionais fizeram um ato em frente ao hospital.

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) foi procurada pela reportagem para comentar a situação do Júlia Kubitschek, mas ainda não se pronunciou. 

Sobrecarga de trabalho

Carlos Augusto Martins, presidente da Asthemg, explica que funcionários dos setores de urgência e internação do hospital participam do ato e garante que o atendimento aos pacientes ocorre em escala mínima. O objetivo do manifesto, segundo Martins, é fazer com o que governo acate duas reivindicações da categoria. “Queremos que o governo invista em uma melhoria da estrutura. O atendimento aos pacientes de urgência, por exemplo, é totalmente inadequado. A segunda medida é aumentar o número de funcionários por concurso público para repor as perdas com mortes e aposentadorias”, disse ao Hoje em Dia

O protesto poderá ser interrompido, conforme o presidente da Asthemg, a qualquer hora do dia caso o governo sinalize positivamente para atender aos pedidos da categoria. Se o executivo não se pronunciar, a promessa é de novas manifestações. “A situação do Júlia é crítica, mas não é a única. Outras unidades como o Hospital Infantil João Paulo II e o Alberto Cavalcanti convivem com a falta de funcionários e a precariedade no atendimento de urgência”, acrescentou. 

Uma funcionária do setor de internações do Hospital Júlia Kubitschek conversou com a reportagem. Sem se identificar, a mulher afirmou que as macas do hospital estão velhas e deterioradas. A mesma situação ocorre com as cadeiras de roda para banho e locomoção dentro da unidade. 

Segundo ela, ainda há dificuldades para que os pacientes consigam tomar banho com água quente. “O pagamento de funcionamento da caldeira não foi efetuado e precisamos esquentar água no fogão e carregar em baldes para dar banho nos pacientes das enfermarias”, contou.