Enfermeiros do ambulatório do Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII deflagraram greve nesta terça-feira (13) para denunciar precariedades na maior unidade de saúde de Belo Horizonte. Representantes da categoria afirmam que há quase três meses pacientes estão sendo atendidos nos corredores.

Segundo os trabalhadores, a situação tornou-se rotineira depois que a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) fechou os ambulatórios 6 e 7, além do setor de sutura. A denúncia é da Associação Sindical dos Trabalhadores da Fhemig (Asthemg).

"Com a desativação dos ambulatórios, agora ficam todos juntos e, sem leitos, os pacientes vão para os corredores. Pensamos que essa situação fosse temporária, mas tem dois meses que estamos negociando. Decidimos que não vamos mais ser coniventes com esse tipo de trabalho", explicou o presidente da entidade, Carlos Martins.

"É um tratamento indigno. Os ambulatórios estão liberalmente fechados, sem uso, sendo que poderiam ser usados para atender os pacientes que estão nos corredores", declarou Martins

Por causa da situação, enfermeiros que entrariam no plantão das 7h optaram por fazer um protesto em frente ao HPS. Os pacientes, conforme a Asthemg, estão sendo atendidos por profissionais do turno da noite, que prosseguem com o serviço.

"De acordo com o Código de Ética, não somos obrigados a fazer um trabalho que prejudica os pacientes", informou o presidente da entidade. A intenção da categoria é protestar pelos próximos três dias. No entanto, o ato pode ser interrompido, caso a Fhemig negocie com os profissionais.

Procurada pela reportagem, a Fhemig informou que não foi notificada pela Asthemg sobre o movimento. "O Hospital João XXIII também não foi informado sobre a manifestação e não teve conhecimento das denúncias", garantiu.

Em nota, a direção do hospital declarou que irá apurar as denúncias e providenciará as respostas cabíveis assim que for notificada. "A Fhemig mantém o diálogo com os representantes dos sindicatos periodicamente e, até o momento, as reivindicações apontadas não foram informadas".