Já se encontram na delegacia do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) os treze funcionários da Vale e de empresas terceirizadas que são investigados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Diferentemente dos demais detidos, os dois últimos presos que se apresentaram espontaneamente, por volta das 14h30 desta quinta-feira (14), engenheiros da empresa alemã Tüv Süd que vieram de carro de São Paulo, entraram pela porta dos fundos, o que gerou um desconforto com os policiais presentes. 

O delegado Bruno Tasca, chefe do Dema, afirma que não houve tratamento diferenciado. "Na verdade não foi o que estava acordado, todos entrariam pelo mesmo lugar. Eu ainda não sei porque eles entraram pela garagem da rua da Bahia, que tem acesso pelo terceiro andar, eu saí para pegar um café e quando voltei eles já estavam lá. É uma coisa que a gente vai apurar pra saber o que aconteceu, mas não houve tratamento diferenciado de forma alguma. Mas, podem ter certeza que eu vou reforçar para que ninguém mais suba por lá, foi uma coisa que eu não gostei", garantiu.

As prisões aconteceram após decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que derrubou a liminar que garantia a liberdade deles, na quarta-feira (13).

Entre os 13 presos, sendo 11 de Minas Gerais e dois de São Paulo, há engenheiros, geólogos e funcionários terceirizados pela mineradora. Todos já haviam sido presos temporariamente e chegaram a ficar na penitenciária Nelson Hungria e no Complexo Penitenciário Estevão Pinto, para onde deverão retornar ainda nesta quinta.

Para Tasca, a decisão de retomar as prisões foi importante para as investigações. "Ela reforça todos os argumentos, todo a nossa linha de investigação. A decisão reafirma que a prisão temporária foi devidamente legal, na medida em que ela é imprescindível para a investigação. Até mesmo porque a liberdade deles prejudica, pois com eles detidos evitamos que sejam combinadas teses, combinadas responsabilidades. É um momento delicado da investigação, um caso de extrema repercussão, e que está sendo tratado com muita imparcialidade e seriedade pela força-tarefa", completou o chefe do Dema. 

Por se tratar de uma prisão temporária e os suspeitos já terem passado parte do período presos, eles cumprirão somente o restante do prazo de 30 dias. "Se não me engano, eles ficaram 13 dias detidos, então ficarão o restante agora. Essa prisão temporária é prorrogável por mais 30 dias, mas somente por ordem judicial", explicou Tasca.

Agora, os presos aguardam a formalização do processo para serem encaminhados ao IML para passarem por exame de corpo de delito antes de serem levados ao sistema prisional. Ainda de acordo com o delegado, os depoimentos colhidos até então ainda são analisados, mas eles podem ser convocados novamente caso surja algum questionamento ao longo da investigação.

O advogado Leonardo Sales, que representa três dos detidos, informou que a defesa já recorreu da decisão do TJMG. "O pedido já está com o ministro Neves Cordeiro, do STJ", garantiu. Questionado sobre os engenheiros da empresa alemã terem entrado de forma diferenciada na delegacia, o defensor disse não saber sobre isso, mas que ambos já estão juntos dos outros presos. 

Histórico

No dia 29 de janeiro deste ano, os primeiros cinco investigados foram detidos. Três deles foram apontados como responsáveis por atestar a estabilidade das barragens. Os outros dois coordenavam a segurança do complexo minerário onde ocorreu a tragédia. No dia 5 de fevereiro eles conseguiram o habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os outros oito tiveram a prisão decretada em 15 de fevereiro. Eles também obtiveram Liberdade garantida pelo STJ. 

Na decisão que retomou a prisão temporária, o desembargador Marcílio Eustáquio Santos, relator do processo, afirmou que a “prisão temporária é necessária ao bom andamento do inquérito policial no qual, frisa-se, apura delito de elevada gravidade concreta”.

Duas das investigadas chegaram a pedir prisão domiciliar por terem filhos menores de 12 anos, mas a solicitação foi negada por unanimidade.

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