Córregos transbordando, vias destruídas, casas soterradas e nada menos que 13 mortes em apenas 12 dias. O drama dos belo-horizontinos após as fortes chuvas sequer foi superado e novos temporais se aproximam. Caso a previsão do tempo se confirme, só um milagre poderá evitar mais estragos, como na avenida Teresa Cristina.

A afirmação é do próprio prefeito Alexandre Kalil ao ser questionado sobre as reclamações de moradores sobre possíveis danos à já castigada via da região Oeste. O gestor voltou a garantir a reconstrução rápida da cidade. A força-tarefa montada segue nas ruas até 15 de fevereiro.

A partir de hoje, a capital já está em alerta para tempestades, conforme meteorologistas. Porém, volumes mais significativos são aguardados para amanhã e, principalmente, quinta-feira. “Só no dia 6 pode chover aproximadamente 80 milímetros (mm). Será o mais chuvoso do período”, diz Cleber Souza, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Alerta

O risco fez a Defesa Civil emitir novo comunicado à população. A informação do órgão é de que as precipitações – de terça a quinta – possam superar 100 mm. Além de ser muita água, o que preocupa os especialistas é a distribuição da chuva.

Nos últimos dias, a Defesa Civil recebeu 3,1 mil chamados; 1.936 foram atendidos e 1.217 estão em atendimento ou aguardam o envio de uma equipe

Se todo o volume cair de forma concentrada em uma região, o perigo aumenta. “Mas não tem como saber onde vai chover mais e como vai acontecer. Todos esses fatores dependem de onde a nuvem irá se formar”, explicou Souza. 

Meteorologista da Cemig, Adelmo Correia reforça que os temporais não são homogêneos, “e por isso não pegam o município por igual”. Segundo ele, a nova tempestade será provocada por uma frente fria vinda do litoral do Sudeste.

Chuva - Avenida Teresa Cristina

Transtornos - Apesar de ter tido o tráfego liberado, a Teresa Cristina ainda enfrenta problemas deixados pelas últimas chuvas

GEOLÓGICO

Vale lembrar que o alerta para deslizamentos de terra permanece em Belo Horizonte. A situação preocupa mais nas vilas e favelas. Nesses aglomerados, são 1.144 imóveis erguidos sob encostas ou à beira de barrancos, concentrando pelo menos 3 mil famílias. Os dados são do último balanço disponibilizado pela PBH.

Até o momento, foram distribuídos 1,6 mil colchões, 762 cobertores, 324 jogos de lençol, 1.864 cestas básicas e mais de 7 mil refeições

ALÉM DISSO

A prioridade da PBH é atuar na liberação do tráfego, como na reconstrução de trechos da rede de microdrenagem entre Teresa Cristina e Amazonas. Outros locais que passam por limpeza e desobstrução são a avenida Prudente de Morais e a BR-356. Por elas, passam diariamente 35 linhas de ônibus utilizadas por cerca de 95 mil pessoas. Os recursos para as medidas emergenciais, segundo a prefeitura, já estão assegurados no caixa, que ainda receberá R$ 200 milhões do governo estadual e parte dos R$ 891 milhões disponibilizados pela União.

Questionado sobre a celeridade e priorização de áreas da região Centro-Sul para as obras, Kalil disse que a situação se deve à maior presença de pessoas e transporte público. “Isso não foi uma escolha. É questão técnica, cada um tem sua importância dentro do planejamento da Sudecap e BHTrans. São 90 mil pessoas por dia que passam na Marília de Dirceu (bairro Lourdes). O morador não tem problema nenhum, ele tem carro, mas ali é um aglomerado de luxo que as funcionárias chegam para trabalhar, priorizamos a trafegabilidade”, justifica.

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