Depois de extinguir 81 mil vagas do ensino em tempo integral na rede pública, o governo estadual vai reabrir 34 mil oportunidades de matrícula para a modalidade no segundo semestre. Mesmo com a medida, 47 mil estudantes permanecem fora do programa. O público remanescente só deve ser totalmente reintegrado à carga horária estendida em 2020, segundo projeções da Secretaria de Estado de Educação (SEE). 

Os cortes foram anunciados no início de abril, diante da incapacidade financeira do governo para arcar com a merenda escolar. A reabertura das oportunidades aconteceu mediante acordo do executivo com a Assembleia Legislativa. A aprovação da reforma administrativa proposta pelo governo foi condicionada ao retorno do ensino integral. 

A SEE calcula que, até o fim do ano, 1.395 escolas estejam oferecendo aulas das 7h às 17h no Estado. De imediato, apenas alunos do 4º, 5º e 6º ano terão acesso ao programa e, segundo a pasta, a oportunidade será gradativamente ampliada. 
“Já há um cronograma previsto. Estamos aguardando o fechamento do plano de inclusão de matrículas para anunciar as novas escolas no primeiro semestre do ano que vem”, afirmou a secretária de Estado de Educação, Julia Sant’Anna. 

Mudanças

As turmas reabertas, segundo a SEE, já começam as atividades no dia 29 de julho. Elas terão mudanças pedagógicas no cronograma e deixam de ser multisseriadas. Ou seja, não serão mais formadas por estudantes de diferentes idades. “Alunos que estão no 6º ano do ensino regular também terão as aulas no contraturno com os colegas da mesma faixa etária”, afirma Julia. 

Para a seleção das escolas que vão ofertar a jornada integral, a SSE estabeleceu os seguintes critérios: ter ofertado o horário estendido em 2018 e solicitado continuidade em 2019, oferecer pelo menos uma turma de educação básica, ter ao menos uma turma com mínimo de 15 alunos para os anos de início da oferta e possuir sala ociosa no contraturno.

“Algumas escolas cumprem os requisitos e não foram contempladas porque não estão entre as instituições com maior demanda de vagas. Elas serão inseridas depois. Só não entrarão as unidades que não têm espaço físico adequado”, esclareceu a secretaria.