Quem procurou atendimento médico nos centros de saúde de Belo Horizonte nesta sexta-feira (14) encontrou as unidades abertas, mas sem as presenças de médicos e enfermeiros. Nas escolas municipais da capital, alguns professores também não apareceram para trabalhar, e as crianças ficaram sob supervisão de funcionários de outras áreas. Já as escolas estaduais estão fechadas. 

Isso porque médicos, enfermeiros e professores aderiram à greve geral convocada por sindicalistas em protesto contra a reforma da Previdência, contra o contigenciamento da educação e por mais empregos. O ato ocorre em todo o país e, ao longo do dia, manifestações de rua e passeatas também estão previstas para acontecer em BH.

Saúde 

No Centro de Saúde Andradas, na região de Venda Nova, somente os setores de vacina, farmácia e curativo estavam funcionando nesta manhã. Apesar da falta de médicos, o movimento na unidade estava tranquilo. Os poucos pacientes no local aguardavam por curativos ou vacinas. 

A aposentada Maria Vicente, de 70 anos, procurou o posto para tomar doses de insulina. Ela não sabia da paralisação, mas conseguiu o atendimento. “Pior é para quem precisa do médico, que hoje não tem”, observou. 

Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não houve greve. “Aqui está 100% e o funcionamento é 24h por dia. Não podemos parar”, declarou um funcionários da UPA Leste, que não quis se identificar. As consultas na UPA Venda Nova também ocorreram sem transtornos. Servidores do local garantiram que todos os médicos e enfermeiros foram trabalhar neste dia de paralisações. 

O agricultor Wadar Fernando Gonçalves, de 37 anos, contudo, acredita que o atendimento na UPA esteja reduzido a 30%. “Cheguei aqui com minha mãe na quinta-feira às 23h e ela só conseguiu atendimento às 8h desta sexta-feira. Durante a madrugada o movimento estava tranquilo, mas nenhum paciente foi chamado”, reclamou. 

A assistente administrativo Tamiris Andrade de Oliveira, de 31, estava na UPA Venda Nova acompanhando a irmã que sofre com labirintite. Ela é a favor da paralisação. “Tem que parar é tudo, não adianta paralisação parcial”, observou. 

Educação 

A Escola Estadual Padre Lebret, no bairro São João Batista, amanheceu fechada. Um cartaz comunicava sobre à greve. “No dia 17/06 retornaremos as atividades”, informava trecho da nota. Já na Escola Municipal Antônio Ferreira, os alunos foram recebidos pelos funcionários, mas só metade dos professores foram trabalhar. 

Protesto 

A paralisação de 24 horas foi convocada por centrais sindicais de todo o país, que protestam contra à Reforma da Previdência, defendida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Também fazem parte das reivindicações temas como maior geração de empregos formais, retomada do crescimento da economia e contingenciamento na Educação.

Outros setores

Veja abaixo como outros serviços são afetados pela greve:

Correios: em nota nesta manhã, a empresa afirmou que está apurando o número de empregados em serviço, mas informou que as agências estão funcionando normalmente, bem como a entrega de cartas e encomendas;

Cemig: a empresa afirmou que não há adesão à greve, embora não tenha descartado a possibilidade de algum funcionário ter individualmente aderido à paralisação;

Copasa: a empresa foi procurada e informou que se posicionará ainda nesta sexta-feira sobre o funcionamento de seus serviços em relação à greve;

Comércio: de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), o funcionamento do comércio referente à greve é facultativo a cada empresário. Não houve uma recomendação da CDL para a adesão ou não-adesão;

Táxis: os veículos estão rodando normalmente, segundo o Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Minas Gerais (Sincavir). De acordo com a entidade, o sindicato não aderiu à greve. Aplicativos de transporte também funcionam normalmente;

Escolas particulares: segundo o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG), o funcionamento é normal nesses locais. A exceção é o Colégio Loyola, que aderiu à greve.

Além desses setores, o metrô está parado, como confirmou nossa reportagem e os ônibus funcionam normalmente na capital. 

(Anderson Rocha)

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