Acostumados a figurar no topo dos rankings que classificam o desempenho das escolas públicas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os colégios federais de Minas Gerais perderam algumas posições em 2015. Neste ano, apenas três escolas públicas mineiras do tipo aparecem nas listas das dez melhores nacionais, enquanto que em 2014 houve sete instituições de destaque no Estado.

Para a classificação, são consideradas separadamente as notas das escolas nas quatro áreas do conhecimento avaliadas pelas provas – linguagens e códigos, matemática, ciências humanas e ciências da natureza – e também na redação. Estão entre as dez melhores instituições públicas do Brasil em 2015 o Coluni, colégio de aplicação da Universidade Federal de Viçosa, o Colégio Militar de BH e a Escola Preparatória de Cadetes do Ar, de Barbacena.

Dentre os dez colégios públicos de destaque nacional, não há escolas estaduais ou municipais regulares. No ranking aparecem instituições federais e estaduais ligadas a universidades públicas e também colégios militares. Na visão do professor do programa de pós-graduação de políticas educacionais da PUC Minas, Carlos Roberto Jamil Cury, esses colégios operam em condições distintas das instituições públicas regulares que permitem que o desempenho em provas nacionais como o Enem seja bem elevado.

Em 2015, o Inep adotou os seguintes indicadores na avaliação do desempenho: permanência na escola, nível socioeconômico e de formação docente, taxas de aprovação e de reprovação e taxa de abandono

O nível socioeconômico dos alunos, critério que foi acrescentado à relação de notas por escola pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) este ano, é um dos principais fatores que determinam o sucesso das instituições públicas que estão nos primeiros lugares do ranking. Todas elas apresentam indicador de padrão financeiro alto ou muito alto.

“Esses estudantes têm jornais e canais de televisão por assinatura em casa e acesso a experiências culturais, como teatro, shows e viagens. Fora que o regime de alunos, professores e funcionários nessas escolas é quase integral, então há um tempo maior para a transmissão de conhecimento”, explica Cury.

Para ele, o resultado das escolas públicas no exame de 2015 expressa “uma desigualdade muito grande” de tratamento entre instituições federais e estaduais regulares. “São as escolas públicas estaduais de todo o país que acolhem a maioria dos estudantes do ensino médio, e elas não aparecem nas posições de destaque do ranking. Meu sentimento é de tristeza, porque é para elas que precisamos voltar nossas atenções”, diz.

Em nota, a Secretaria de Educação de Minas Gerais afirmou que está estimulando as escolas da rede a realizar o Simulado Mineiro do Enem, ainda neste nês. A pasta destacou que oferece curso gratuito preparatório para redação na reta final do Enem.

Com preparação extensa, Colégio Militar de BH se destaca

Pelo segundo ano consecutivo, as escolas administradas pelas Forças Armadas e Polícia Militar foram destaque no ranking. O Colégio Militar de Belo Horizonte (CPOR) conquistou o sexto lugar geral entre as escolas públicas do país. Em Minas, seis das dez melhores instituições de ensino em linguagens são militares. Em matemática, elas dominam cinco em cada dez.

No CPOR, os alunos são admitidos por meio de um “vestibulinho”. Neste ano, 901 estudantes se inscreveram para as 25 vagas do 6º ano do ensino fundamental e 540 para dez lugares no ensino médio. “O sucesso nos rankings é o reflexo de um extenso trabalho de preparação que começa quando o aluno entra no colégio”, diz o diretor de ensino da escola, coronel Luis Loureiro Signorini.

Professores com titulação de mestres e doutores e com dedicação exclusiva são essenciais. A unidade também oferece aulas de reforço no contraturno e em período integral. “Nossa prioridade é formar cidadãos que contribuam com a sociedade. Valores como a disciplina, o respeito ao professor e aos colegas são pilares da nossa escola”, frisa o coronel.

Rotina pesada

Cursando o 3º ano do ensino médio na instituição, Diego Caldas, de 18 anos, se destaca em competições de conhecimento. Ele já recebeu medalhas de ouro e prata na Olimpíada Mineira de Química e menção honrosa na fase nacional do concurso. Para o estudante, o colégio oferece estrutura e apoio pedagógico para o desenvolvimento dele como aluno.

“Os professores nos ajudam, tiram dúvidas e dão conselhos. Temos projetos de monitoria. Já fui monitor de um colega e desenvolvi companheirismo e relacionamento interpessoal”, conta Caldas, que pretende cursar engenharia química.

O jovem alterna as aulas regulares com o cursinho. A rotina de estudos começa às 6h e só termina por volta de 21h30.