Alunos da rede pública estadual de ensino de Minas Gerais devem começar o ano letivo, na próxima quinta-feira, com parte do quadro de professores desfalcada. A Secretaria de Estado de Educação precisaria preencher cerca de 28 mil vagas em apenas um dia, nesta sexta-feira (5), para evitar o início das aulas defasado.
 
A administração estadual decidiu adiar para após o fim do Carnaval a divulgação do resultado do processo de designações, que deveria ter sido encerrado, segundo previsão de resolução publicada em dezembro, no dia 29 de janeiro. No entanto, às 20h desta sexta-feira, o site criado pelo governo para divulgar os editais apresentava mais de 5 mil postos disponíveis nas 15 cidades mais populosas de Minas Gerais. Considerando apenas a Grande BH, a quantidade era superior a 2,6 mil naquele momento.

O número poderia não retratar a realidade na noite de sexta-feira, já que o quatro informativo pode ser disponibilizado posteriormente pelas superintendências, segundo o governo mineiro. Entretanto, era através do site que os interessados se informavam sobre a existência de vagas.

Conforme o cronograma divulgado pela secretaria, o último processo de seleção na região metropolitana estava previsto para começar às 13h de sexta-feira. A previsão de quem participa do processo há anos, como o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas (SindUte-MG) e a Associação dos Efetivados em Minas, era de que as aulas começariam com falta de docente.

Desde 2007, o governo de Minas não precisava realizar um processo de designações para preencher um número de vagas tão alto - cerca de 140 mil. Isso porque, naquele ano, na gestão de Aécio Neves (PSDB), entrou em vigor a Lei 100, responsável por efetivar cerca de 98 mil profissionais que atuavam na Educação sem concurso público. Anos depois, em 2014, o Supremo Tribunal Federal considerou a lei inconstitucional e determinou o desligamento dos servidores, o que ocorreu no início deste ano.