Para as aulas presenciais serem retomadas em Belo Horizonte, os novos casos de Covid-19, por 100 mil habitantes, precisam cair 28 vezes – ou 96%. Atualmente, a taxa está em 143 por 100 mil. O Comitê de Enfrentamento à doença na capital estima que só quando o índice chegar a cinco será possível o retorno das escolas.

O cálculo é feito com base na soma das novas notificações da enfermidade nos últimos 14 dias e o resultado é dividido pela população. “A definição dessa taxa irá determinar o momento seguro”, destacou a Secretaria Municipal de Saúde, em nota.

Ainda não se pode prever quando isso vai acontecer, afirma o comitê. O certo, ressalta o infectologista Carlos Starling, é que há riscos nesse momento. “Se relaxarmos, a epidemia volta. Ainda temos um número enorme de pessoas susceptíveis. O vírus não veio nos visitar. Veio para ficar. Nós é que temos que nos adaptar a ele, não o contrário. Pelo menos neste momento”, frisa o médico, um dos integrantes do comitê.

Barradas

Um dia após o governo do Estado autorizar a volta das aulas a partir de 5 de outubro, ontem, por meio de decreto, a PBH cassou o alvará das instituições de ensino da capital. Creches, escolas, faculdades e centros de formação estão oficialmente impedidos de funcionarem. Apenas as escolas de nível superior e técnico na área da saúde estão liberadas para aulas laboratoriais e práticas.

Como justificativa, o Executivo municipal afirma haver necessidade de aprofundar nos estudos e discussões sobre o assunto. Destacou, ainda, que as crianças e jovens geralmente não manifestam os sintomas da Covid-19, mas continuam transmitindo a doença e têm contato, em casa, com pessoas do grupo de risco.

Embates

O assunto é polêmico e divide pais dos alunos e professores. No último domingo, protestos contra e a favor do retorno das escolas foram realizados.

Um dia depois, o Colégio Militar, vinculado ao Exército, retomou as atividades, mas teve que suspender a volta por decisão judicial. Também nos tribunais, o Ministério Público Federal ingressou com um pedido de tutela antecipada para impedir a reabertura da unidade sem aprovação das autoridades municipais de saúde.

Merenda

Com o retorno das aulas presenciais nas escolas mineiras, previsto para acontecer de forma gradativa a partir de 5 de outubro, os estudantes da rede estadual de ensino voltarão a contar com a merenda nas instituições de ensino. O governo de Minas Gerais garantiu que a alimentação será oferecida para todos os alunos.

O auxílio de R$ 50 que estava sendo repassado em substituição à merenda, no entanto, terá sua última parcela depositada neste mês. O Bolsa Merenda será interrompido, mas o Executivo afirma que os estudantes carentes não ficarão desassistidos. De acordo com o governo, outro benefício, o Renda Minas, será transferido para as famílias.

*Com Renata Evangelista