Em pleno surto de febre amarela em algumas cidades de Minas, o Ministério da Saúde estuda a possibilidade de fracionar doses de vacinas. Na prática, isso significa diluir o composto para conseguir multiplicar o número de imunizados. O problema é que a eficácia da vacinação cai, o que pode aumentar os casos de infectados pela doença no país a curto prazo, na visão de especialistas.

O fracionamento obrigaria as pessoas a serem vacinadas a cada ano. Atualmente, isso acontece apenas duas vezes na vida, com intervalo mínimo de dez anos. “A nossa vacina já está com dose reduzida porque na maior parte do mundo ela é ministrada em apenas uma dose. No Brasil houve essa fração no passado. Fazer outra agora pode diminuir muito a eficácia da vacina”, afirma o infectologista, Marcelo Simão Ferreira. 

O próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, chegou a dizer nessa semana que o fracionamento seria a última opção para o país. Mas, diante de pressões por aumento da cobertura vacinal em vários Estados, ele mudou o discurso. Primeiro, o Rio de Janeiro pediu 15 milhões de doses para imunizar a população. Em seguida, a Bahia solicitou um reforço nas entregas na última quarta-feira. 

“Pelo o que acompanhamos, Minas Gerais está com uma parcela representativa da população vacinada. Temos ainda vacina disponível. Se tiver que ser fracionada, será no próximo lote”

Deise Aparecida dos Santos
Superintendente de Vigilância Epidemiológica da SES-MG
 

Foi aí que o ministério encomendou um levantamento às secretarias estaduais de saúde para verificar a necessidade de aumento da oferta. “Dependendo do quantitativo, vamos importar ou fazer o fracionamento”, disse ontem.

O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano, teme que a um fracionamento possa levar a mais surtos no futuro. “É uma medida imediatista que pode deixar uma camada grande da população sem imunidade em um curto prazo de tempo. É um risco desnecessário”, afirma.

Minas Gerais
Em Minas Gerais, ocorreram 1.124 notificações de febre amarela e a confirmação de 376, até a última quarta-feira, quando foi divulgado boletim pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). No período, foram 201 óbitos notificados e 137 confirmados. 

Segundo a superintendente de Vigilância Epidemiológica da SES, Deise Aparecida dos Santos, o Estado possui um estoque para imunizar uma parte da população, que não será fracionado. Mas, os demais lotes que serão adquiridos, vão depender da política nacional adotada. Ou seja, se houver o fracionamento, no futuro ele chegará a Minas. Ela não soube informar quantas pessoas ainda precisam ser vacinadas no Estado. 

Belo Horizonte
Na capital, 652 mil pessoas receberam a vacina contra febre amarela neste ano. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a principal frente para conter o avanço da doença é a imunização. Para ampliar a cobertura, a cidade tem cinco postos extras de aplicação e com horários estendidos. 

Quanto ao fracionamento das doses, a pasta informou, por meio de nota, que não recebeu nenhuma notificação sobre a mudança por parte do Ministério da Saúde. 
Porém, ressaltou que a vacina distribuída na cidade vem do ministério. Logo, se houver alteração nas doses, chegará rapidamente à capital. 

Belo Horizonte é um dos municípios que encontraram macacos mortos por febre amarela. Ao todo, 34 primatas foram enviados para análise. Desse total, 11 tiveram resultado negativo para a doença, três positivos e outros 20 ainda estão em investigação.
(Com agência)

{HEADLINE}
União estuda fracionar dose contra febre amarela; especialistas apontam riscos
{CAPTION}