Médicos e órgãos de Saúde rebateram a afirmação do Ministério Público Federal (MPF) de que a vacina contra o HPV não teve eficácia comprovada nem possíveis efeitos colaterais estudados. A polêmica sobre o assunto reacendeu nessa quinta (17), depois que o MPF ajuizou uma ação pedindo que a Justiça Federal proíba a aplicação da vacina em todo o Brasil.

De acordo com o presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Agnaldo Lopes da Silva, a avaliação de confiança, nesses casos, é uma preocupação não apenas para lançar o produto, mas para mantê-lo no mercado.

“A Organização Mundial de Saúde emitiu, em março do ano passado, um parecer ressaltando o ótimo perfil de segurança da vacina contra HPV, e a agência de controle americana (FDA) reafirmou isso. Não estou falando de 2 mil doses analisadas, mas de 2 milhões”, ressalta o médico.

Repercussão local

A Secretaria de Estado de Saúde informou, em nota, que a vacina é segura e eficaz e que, “em conjunto com as ações de rastreamento para o câncer de colo de útero, é de suma importância para a prevenção desse tipo de doença”.

Para o presidente da Sogimig, as especulações resultam no temor da população e na baixa adesão às campanhas. Prova disso foi o enfraquecimento na procura pelas doses no Estado e na capital mineira.

Em Belo Horizonte, a segunda dose da vacina foi aplicada em 63,8% do público-alvo no ano passado. Neste ano, até setembro, em 27,6%. Em Minas, a cobertura foi de 72% na segunda etapa de 2014 e de 39,9% até o momento.

Sem respostas

A ação do MPF pede a invalidação de todos os atos normativos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que autorizavam a importação, produção, distribuição e comercialização da vacina no país. A decisão foi baseada no parecer de um neurocirurgião de Uberlândia, no Triângulo, que relatou sequelas em pacientes vacinadas.

O Hoje em Dia acionou a Agência, mas foi informado de que o assunto “não está no âmbito da Anvisa”, mas, sim, no do Ministério da Saúde. A assessoria da pasta, no entanto, desconhecia a situação e, até o fechamento desta edição, não havia se posicionado.

O procurador da República Cléber Eustáquio Neves, autor da ação, também foi procurado, mas não retornou as ligações.