Uma nova preocupação atormenta as grávidas, já assombradas pela zika. Além da microcefalia, o vírus pode estar relacionado a casos de má-formação nos ossos dos recém-nascidos e à morte de bebês dentro do útero das mães contaminadas pelo Aedes aegypti.

Em Minas, 24 casos de abortos espontâneos nessa circunstância são investigados. Até agora, uma das amostras coletadas deu positiva para zika vírus na criança, que nasceu morta em Sete Lagoas, na região Central. As informações são da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

O material de um natimorto no Rio de Janeiro também é analisado pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A criança morreu no útero da mãe duas semanas antes da data prevista para o parto.

Na avaliação da ginecologista e obstetra Cláudia Ramos de Carvalho Ferreira, professora da UFMG, é prematuro estabelecer qualquer relação entre a doença da mãe (a zika) e a morte do filho. “Possivelmente, ela entrou em trabalho de parto porque houve morte fetal. Mas precisamos ter parcimônia nas afirmações para passar informações adequadas”, aponta.

Outras causas

A especialista explica que outras doenças infecciosas, como toxoplasmose, rubéola e sífilis, além de hipertensão e diabetes gestacional, podem ocasionar a morte dos bebês antes do nascimento. Nesses casos, porém, o acompanhamento pré-natal é feito com mais rigor, por se tratar de gravidez de alto risco.

Nos casos de ossos mal formados, o problema parece ser mais grave. De acordo com a presidente do Comitê Científico de Neurologia Infantil da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), Marli de Araújo Marra, além da microcefalia, as sequelas apresentadas por filhos de mulheres infectadas vêm sendo denominadas como síndromes neonatais pelo zika.

A situação, segundo ela, é mais preocupante do que se pode imaginar. “Atrofias em outras partes do corpo, e não só no cérebro, estão sendo associadas ao vírus. É o caso da artrogripose, que leva a má-formações dos membros. É realmente uma catástrofe de saúde pública”, afirma.

Insegurança

Enquanto suspeitas não são confirmadas, grávidas como a analista de RH Aline da Mata Menezes de Oliveira, de 28 anos, que espera para daqui a duas semanas o primogênito Eduardo, convivem com a insegurança.

“É uma situação bem grave e que causa muita angústia e frustração. Como não sabemos da real complexidade disso tudo, resta prevenir com repelente e roupas de manga comprida”, diz.