A primavera, que começou em 23 de setembro, trouxe, além de dias quentes, muitas flores que, apesar de deixarem a cidade mais bonita e colorida, são um risco para os alérgicos. Isso porque o pólen disperso no ar pode entrar em contato com os olhos e a via respiratória, aumentando as chances de doenças como rinites, conjuntivite e asma. Para quem tem crise constante nessa época a recomendação é expressa: evite plantas com flores em ambientes fechados.  

O clima mais úmido e chuvoso, inclusive, aumenta as quantidades de fungos e ácaros, potencializando os problemas alérgicos. Trocar a roupa de cama com mais frequência, limpar chão e móveis com panos úmidos e colocar travesseiros ao sol são algumas atitudes que fazem grande diferença.

“Doenças sazonais são facilmente controladas com o tratamento correto. É preciso ficar atento aos sintomas e seguir dicas para aliviar o desconforto”, frisa o clínico Oswaldo Fortini Levindo Coelho, do Comitê de Especialidades da Unimed-BH. 

Uma das doenças típicas da estação é a catapora. Apesar de afetar mais as crianças, jovens e adultos também podem contraí-la. “A prevenção mais simples é a vacinação”. 

No caso dos pequenos, a recuperação é mais simples. Por outro lado, adultos podem precisar de um acompanhamento especial. “As doenças viróticas causam a baixa de imunidade. Não se deve coçar as feridas, evitando infecções e cicatrizes. Priorize o repouso e a ingestão de bastante líquido”, comenta o especialista.

Automedicação, observa Coelho, nem pensar. “Traz riscos. Se não houver melhora, o mais indicado é procurar ajuda médica”.

Piora

Acostumada a conviver com a rinite alérgica desde criança, a estudante Jade Gomes, de 21 anos, afirma que mudanças de estação pioram o quadro da doença. A situação é mais crítica na primavera. “Não apenas pela quantidade de pólen no ar, mas também por causa das oscilações na temperatura. Uso diariamente um umidificador no quarto para o ar não ficar tão seco e lavo o nariz com soro fisiológico pelo menos três vezes ao dia. Mas não raramente uso antialérgicos”. 

Alergista e pediatra, Raquel Pitchon alerta para outros elementos que pioram o quadro alérgico na estação. “Ácaro, mofo e resíduos de baratas são alergênicos. Além disso, o fim do inverno e o começo da primavera é um período de queimadas, e a inalação da fumaça irrita as vias respiratórias”.

Ela ressalta que os pacientes que têm quadros de alergias persistentes e de moderadas a grave, ou que precisam utilizar medicação frequentemente, podem recorrer à imunoterapia. “A aplicação de vacinas ajuda pois induz o organismo a produzir anticorpos contra os causadores específicos das alergias”, explica Raquel.

Com Mariana Durães