Os municípios das macrorregiões mineiras Triângulo Norte e Noroeste precisarão adotar, a partir desta quinta-feira (4), diversas restrições na circulação de pessoas e toque de recolher no horário entre 20h e 5h, como forma de frear o avanço do coronavírus nessas localidades. Uberlândia e Patos de Minas estão entre as cidades atingidas pela alteração.

As mudanças foram anunciadas nesta quarta-feira (3) pelo Estado e fazem parte da nova fase do Minas Consciente, programa de flexibilização da atividade econômica, que é chamada onda roxa. Atualmente, o plano conta com três fases: vermelha (mais restritiva), amarela (intermediária) e verde (mais ampla). A onda roxa é ainda mais restritiva do que a onda vermelha.

A principal mudança refere-se à criação de toque de recolher para pessoas e veículos no período entre 20h e 5h. A exceção se dará a moradores que estiverem em situações ou casos relacionados a atividades essenciais, como a busca de auxílio médico.

Fora desse horário, estará proibida a circulação sem uso de máscara, incluindo em ambientes privados, e por pessoas que apresentarem sintomas gripais. Também está impedida a realização de reuniões presenciais, incluindo aquelas que envolvam pessoas da mesma família que não morem junto. Essas não poderão fazer festas ou churrascos.

Além disso, eventos públicos ou privados estão proibidos e haverá barreiras de vigilância sanitária nas cidades. Por fim, as cidades deverão permitir o funcionamento apenas de serviços essenciais. Bares e restaurantes poderão abrir apenas em modo delivery.

As medidas passam a valer nesta quinta e duram 15 dias. De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, as forças de segurança do Estado apoiarão a fiscalização do cumprimento das medidas, sempre priorizando a orientação e, em seguida, ações de segurança, em caso de reincidência.

Triângulo Norte e Noroeste

Até o momento, apenas as macrorregiões Triângulo Norte e Noroeste precisarão adotar o novo esquema. De acordo com Amaral, os municípios dessas regiões passarão a seguir a onda roxa porque apresentaram, nas últimas semanas, aumento dos casos, da ocupação de leitos de UTI e da mortalidade, além de retardo na capacidade de regulação dos leitos.

Conforme o gestor, novas regiões podem precisar se adequar à nova onda a qualquer momento a depender dos critérios de avanço da pandemia. São eles: a taxa de distanciamento social, de desassistência, de ocupação de leitos, de incidência de surtos e de óbitos. A avaliação será acompanhada, em todas as regiões do Estado, diariamente pela SES-MG. 

Municípios que não fazem parte das macrorregiões Triângulo Norte e Noroeste e que estiverem em situação de piora dos índices poderão adotar a onda roxa espontaneamente.

Adoção obrigatória

Presente no anúncio da nova onda, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que, diferentemente das fases vermelha, amarela e verde, cuja adoção era passível de análise pelos prefeitos, a onda roxa será obrigatória aos municípios.

"Realmente há essa prerrogativa [garantida pelo Supremo Tribunal Federal] de os prefeitos tomarem a decisão sobre aquilo que é mais adequado ao seu município. Mas, agora, o mérito é o sistema regional de saúde, que inclui uma série de municípios, não estamos mais falando de uma decisão municipal", afirmou.

Segundo ele, o Estado manteve a descentralização ao máximo que foi possível, mas agora a questão está "acima dos prefeitos", já que envolve o sistema de saúde do território mineiro como um todo.

Ao abordar o tema, o gestor relembrou que cidades como Uberlândia e Patos de Minas são polos, ou seja, recebem pacientes de diversos municípios e precisavam de uma medida que pensasse a macrorregião como um todo. "Cidades da região que estão no entorno continuam produzindo pacientes e transferindo para essas cidades-polo. Por isso a medida é impositiva", afirmou Zema.

Colapso e falta de médicos

Zema também lamentou a criação da onda mais rígida, mas explicou que as mudanças buscam garantir a assistência de saúde à população e evitar "cenas de horror" em Minas.

"O que estamos fazendo foi evitado ao máximo, mas não adianta nós querermos manter o que pode ser agradável para alguns e amanhã termos algumas regiões com cenas de horror. Você ver pessoas com falta de ar no hospital e não conseguir dar atendimento é uma cena de horror e nós não queremos que isso aconteça em Minas", disse.

Segundo Zema, caso a curva de casos continue como está em algumas regiões do Estado, há chance de um colapso no sistema dessas localidades.

"Nós não podemos perder o controle e ter desassistência generalizada. Tudo o que podia ser feito foi feito. Aumentamos o número de leitos de UTI e de enfermaria. Agora, chegamos a um ponto em que não há mais médicos. Já fizemos chamamentos e não há mais profissionais de saúde para atender qualquer ampliação de UTI que venha acontecer", disse.

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