O secretário adjunto de Saúde de Minas, Marcelo Cabral, informou, na tarde desta sexta-feira (29), que o número de testes para a detecção da Covid-19 no Estado não é insuficiente e que uma possível testagem em massa agora significaria um "gasto" dos testes, que diminuiria o número de insumos para quando fosse "efetivamente necessário". As declarações foram feitas durante coletiva de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde (SES) na Cidade Administrativa.

"É muito importante destacar que hoje, estando em situação de contágio comunitário e com muitos casos assintomáticos, a testagem em massa provocaria, num primeiro momento, principalmente em relação a esses assintomáticos, o gasto, digamos assim, desses testes e, eventualmente, quando precisássemos, efetivamente, de mais testes, ficaria um número reduzido para o momento que fosse efetivamente necessário", declarou.

Além disso, Cabral esclareceu a relação de testes presentes no Estado. Segundo ele, quando se diz que Minas recebeu 160 mil testes, na verdade, são 160 mil itens - como reagentes, swabs de coleta de secreções, entre outros - que compõem um kit de teste. "Quando se fala em 160 mil, não se quer dizer que esse seja o número de testes, que 160 mil pessoas serão testadas", disse.

Sobre o mesmo tema, o secretário adjunto de Saúde Cabral ainda afirmou que um possível aumento no número de testes em Minas não representaria uma mudança na política de condução do combate à doença no Estado, já que as ações tomadas pelo governo são baseadas em dados estatísticos e científicos, monitorados dia a dia. 

"A política de saúde que hoje é colocada pelo Governo de Minas e pela Secretaria de Estado de Saúde não mudaria, não sofreria nenhum tipo de interfência pelo maior ou menor número de testes. Hoje o que fazemos é manter medidas de isolamento social, de distanciamento social, e nesse momento, fazer a testagem para profissioais e pessoas que necessitem efetivamente de testagem", afirmou.

Segundo ele, esse público prioritário é composto por trabalhadores da saúde, da segurança pública, além de pessoas em estado grave; de unidades sentinela nos municípios; internos do sistema prisional e moradores de lares de idosos. "Essas são as pessoas que necessitam, pela própria característica, efetivamente da testagem para que possamos conter danos maiores", disse.

Secretario não descarta mudanças

"Nós não consideramos que haja um número reduzido de testes ou que ele dê para nós uma informação equivocada. A SES mantém o Centro de Operações de Emergências em Saúde (COES-MG), com dados que nos dão segurança para o enfrentamento da pandemia. Nós temos dados estatísticos, monitoramos as curvas, em relação a Minas e ao Brasil. Nós temos os nossos técnicos da saúde envolvidos nesses dados e isso é o que interfere para nós no enfrentamento da pandemia", explicou Cabral.

Conforme o gestor, considerando a restrição financeira da União e dos estados, e também dos insumos, a forma como se faz a testagem em Minas tem sido eficiente. No entanto, o secretario não descartou mudanças, caso haja erros no processo.

"Tem sido eficiente, o que não quer dizer que, caso necessitemos fazer alguma mudança para melhor enfrentamento, que nós não vamos fazer isso. Para nós, esses dados têm sido suficientes para o enfrentamento. Me refiro também aos óbitos, que são todos testados. A gente tem uma sequência, com relação à dinâmica do teste, mas os óbitos não ficam sem a testagem para que possamos então informar, de uma maneira clara, transparente", disse.