Os registros de crimes contra o patrimônio cresceram 54% nos últimos quatro anos em Minas. As ocorrências saltaram de 54.314 em 2011 para 83.921 no ano passado, segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

Mas a diferença é, de fato, ainda maior, já que o levantamento de 2014 não leva em conta os casos que ocorreram em dezembro. Isso porque o governo do Estado ainda mantém em sigilo os dados da criminalidade do último mês do ano passado e também os registros referentes a janeiro deste ano. Não há sequer uma previsão para que o balanço completo seja divulgado.

Ao que tudo indica, a estratégia adotada pelo governo anterior, de divulgação dos registros de um mês até o 15º dia útil do mês seguinte, foi suspensa. Sendo assim, não é possível precisar também qual foi o aumento exato do índice de crimes violentos no Estado entre 2011 e 2014. Desconsiderando os dados de dezembro do ano passado, o aumento é de 43%, passando de 66.061 ocorrências para 94.707.

Sem o balanço completo, até as ações de combate à violência ficam comprometidas. “A divulgação dos dados de crime atesta a transparência e prestação de contas dos recursos da Seds e do governo estadual. Isso é fundamental para avaliar problemas, falhas e os acertos da política pública de segurança”, avalia o pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, Frederico Marinho.

O crescimento nas ocorrências de crimes violentos e de crimes contra o patrimônio também foi registrado na capital mineira. O aumento de casos do primeiro tipo entre 2011 e 2014 foi de 36% e de 43% com relação ao segundo tipo. Assim como ocorre com os dados de Minas, o levantamento completo de BH ainda não foi disponibilizado pela Seds.
 

Crimes em segredo

 

Sem prazo

Em nota, a assessoria de imprensa da secretaria informou apenas que “a nova gestão está avaliando os dados” e que não há data prevista para a divulgação do balanço referente a dezembro de 2014 e janeiro de 2015.


Mesmo sem o levantamento completo, o que se percebe é um grande aumento, em alguns casos de mais de 50%, em ocorrências de roubo e extorsão.
“Constata-se esse crescimento há alguns anos no Estado e nos seus principais municípios. Uma das causas é o abandono do programa Igesp, Inte-gração
e Gestão da Segurança Pública. O Igesp focalizava as ações das polícias, do Ministério Público e do Judiciário nos criminosos e grupos organizados responsáveis pela maior parte dos crimes”, afirma Marinho.

Já os registros de homicídios consumados caíram nos últimos quatro anos em Minas e na capital mineira. De acordo com os dados da Seds, em todo o Estado foram contabilizadas 3.862 ocorrências desse tipo em 2011, contra 3.626 até novembro de 2014, o que representa uma queda de 6%. No caso de BH, a queda foi maior, de 21%, passando de 767 para 604.