O governo de Minas informou nesta terça-feira (2) a confirmação laboratorial de três novas variantes do novos coronavírus em Minas Gerais, sendo elas a VOC 202012/01, da linhagem B.1.1.7 (Reino Unido); P.1 e P.2.

Por essa razão, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) declarou que irá intensificar "ainda mais" as investigações sobre a circulação das variantes no Estado. As mutações identificadas são consideradas Variantes de Atenção (VOC) no Brasil.

A coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais (CIEVS-Minas) e da Sala de Situação, Eva Medeiros, afirmou que o Estado está acionando os municípios de onde foram encontradas essas mutações para reforçar ainda mais a investigação de pacientes infectados e seus contatos próximos.

"Com as investigações, será possível dizer se essas variantes estão ou não em circulação em Minas", disse.

VOC 202012/01

A variante chamada de VOC 202012/01, linhagem B.1.1.7, que a princípio foi descoberta no Reino Unido, foi encontrada em amostras coletadas de pacientes em Belo Horizonte (10), Barbacena (1), Araxá (1) e Betim (1), de acordo com o relatório técnico enviado à SES-MG. 

O estudo que localizou a variante foi feito por pesquisadores da UFMG em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), Instituto Hermes Pardini e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nova variante P.1

A nova variante P.1 foi encontrada em duas amostras de duas pessoas de Manaus, que estavam em viagem por Belo Horizonte. O material foi analisado pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG).

Outra amostra foi encontrada em um paciente do Canadá que estava em viagem ao Brasil, com histórico de visita a Minas Gerais. A apuração foi feita pelo Ministério da Saúde.

Nova variante P.2

A Fiocruz comunicou à SES-MG a detecção da nova variante P.2, detectada em 15 amostras de 12 cidades mineiras: Ouro Branco (1), Além Paraíba (2), Caratinga (1), Coronel Fabriciano (1), Cruzília (1), Imbé de Minas (1), Ribeirão das Neves (1), Rio Manso (1), Santa Luzia (1), São José da Lapa (1), Taiobeiras (1) e Varginha (3). 

A linhagem P.2 contém a mutação E484K na Spike e já foi encontrada em todas as regiões do país. No entanto, essas linhagens identificadas não são consideradas Variantes de Atenção (VOC).

O relatório técnico da Funed, enviado nessa segunda-feira (1) à SES, aponta que foram encontradas quatro amostras com a variante P2 em pacientes de Uberaba (1); Ibitiúra de Minas (1); Esmeraldas (1); e um paciente de Manaus que estava de férias em Minas.

Além disso, o grupo de pesquisadores da UFMG - que identificou a VOC 202012/01 - encontrou a variante P.2 em 16 amostras de pacientes da capital mineira, referentes ao período de novembro do ano passado a janeiro deste ano.

Outras linhagens

A Fiocruz detectou três genomas da linhagem B.1.1.143, nos municípios de Caratinga, Muriaé e São Lourenço; três B.1.1.28, em Coronel Fabriciano, Ouro Branco e Varginha; e um genoma da linhagem B.1.1.33, em Governador Valadares.

A Funed encontrou em três amostras a presença das linhagens B.1.1.33 em Caratinga, B.1.1.28 e B.1.2, em Sabará. Foi identificado em um laboratório privado de São Paulo a linhagem B.1.1.222 em uma paciente de Itajubá com histórico de viagem pelo México (Cancun com escala no Panamá) no mês de janeiro de 2021.

As duas principais linhagens circulando no Brasil, desde fevereiro de 2020, são B.1.1.33 e B.1.1.28, ambas sem alterações significativas na proteína Spike (S).

No Brasil

Atualmente, as três variantes de atenção (VOC) sob vigilância no Brasil são: Variante VOC 202012/01, linhagem B.1.1.7 (Reino Unido); Variante 501Y.V2, linhagem B.1.351 (África do Sul); e, Variante P.1, linhagem B.1.1.28 (Brasil).

Segundo a coordenadora estadual de Laboratórios e Pesquisa em Vigilância da SES-MG, Jaqueline Oliveira, a vigilância laboratorial é fundamental para a identificação das novas variantes do coronavírus.  

Cuidados

A Secretaria de Estado de Saúde reforça à população a importância da manutenção de todos os cuidados para evitar a transmissão do coronavírus, como uso de máscara, distanciamento social e higienização frequente das mãos.

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