Menos de 24 horas após a Vale anunciar que vai suspender as operações nas barragens a montante, o governo de Minas informou nesta quarta-feira (30), que a redução na arrecadação de impostos com a mineração vai ser de cerca de 30% e a estimativa da Secretaria de Estado de Fazenda é que o impacto anual seja de aproximadamente R$ 300 milhões.

Desse valor, cerca de R$ 79 milhões são referentes à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), sem contar o impactos indiretos na cadeia produtiva e econômica do setor.

Antes mesmo Fabio Schvartsman anunciar o descomissionamento, que significa o esvaziamento das barragens e a recuperação do meio ambiente, a Secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável ( Semad) publicou uma resolução suspendendo todas as análises de licenciamento de barragens, independentemente do modo construtivo, até que novas regras sejam estabelecidas pelos órgãos federais competentes.

A Vale informou que o investimento para o processo, que deve durar 3 anos, será de R$ 5 bilhões e será apresentado aos órgãos federais e estaduais num prazo de 45 dias.  

Enquanto durar esse processo, a produção das minas de Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, no complexo Vargem Grande; e as operações de Jangada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, no complexo Paraopeba, incluindo também as plantas de pelotização de Fábrica e Vargem Grande serão desativadas. 

Schvartsman disse ainda que, com o fechamento das barragens, a Vale deixará de produzir 40 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. Em 2017, a companhia produziu 366,511 milhões de toneladas de minério de ferro.

A companhia também vai ter de reduzir a produção em 10 milhões de toneladas de pelotas feitas a partir de minério de ferro fino, usadas na fabricação de aço. Em 2017, a Vale produziu 50,300 milhões de toneladas desse produto.

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