Com o novo recuo na flexibilização do comércio em Belo Horizonte, donos de restaurantes estão desanimados com o futuro dos negócios. Sem poder receber os clientes, a alternativa é o delivery, modalidade que, para muitos, não cobre nem os gastos mensais. Além disso, há outro fator que preocupa: os estoques cheios.

A reportagem do Hoje em Dia foi ao Centro de BH nesta segunda-feira (8) para acompanhar o primeiro dia útil das novas regras de funcionamento. Dono de restaurante no Centro da capital há 30 anos, Marcelo Teixeira diz não ter muita expectativa de vendas. Ele quer avaliar mais alguns dias para ver se vale a pena manter as portas abertas. "Vendemos 20% de antes. Com o delivery é menos de 5%. Não paga nem o vale transporte dos funcionários", afirmou. 

Sem perspectivas, ele acredita que, com a crise da Covid-19, terá de fechar o negócio. Desde o início da pandemia, há cerca de um ano, o estabelecimento passou de 22 para três funcionários.

restaurante

Marcelo Teixeira tem restaurante há 30 anos

Para Ézio Morais, entrega a domicílio é única alternativa que restou para manter o comércio e vender todos os insumos já comprados. "A salvação para não fechar as portas é o delivery", garantiu.

Muitos lojistas foram pegos de surpresa com o decreto do prefeito Alexandre Kalil (PSD). Na quarta-feira (3), foi anunciado que não haveria mudanças, mas dois dias depois a administração municipal voltou atrás e determinou novo fechamento.

Assis Macedo, proprietário de um restaurante na avenida Afonso Pena, no hipercentro de BH, revela que os estoques estão cheios e os boletos acumulados. Além de vender marmitex, o movimento da Feira Hippie aos domingos ajudava a completar a renda. No entanto, com o endurecimento das regras de funcionamento, as vendas cairão consideravelmente.

"Tenho 40 funcionários, mas não estou ganhando nem um real. Como que se mantém assim?", questionou. Além disso, ele acredita que a fiscalização da prefeitura está mais concentrada na região central do que em bairros mais afastados.

"A Guarda Municipal só trabalha aqui no Centro. Nos outros bairros mais distantes, como o Barreiro, não há fiscalização", afirmou.

Aplicativos

No restaurante onde Edilson Gonçalves é gerente, a solução será as vendas por aplicativos. Antes, o lucro vinha dos clientes que trabalham próximo à rua da Bahia. Porém, com a restrição para consumo no local, o número de clientes caiu.

"A orientação do patrão é avaliarmos a movimentação dos próximos dias para começarmos a vender pelos apps", contou.

Segundo ele, houve uma redução no quadro de funcionários por conta do faturamento, caindo de oito para seis trabalhadores.

Recuo na flexibilização

Na última sexta-feira (5), Kalil decretou mudanças no funcionamento da cidade. Desde sábado (6), apenas os estabelecimentos comerciais considerados essenciais podem abrir.

A medida foi imposta para tentar conter o avanço da Covid-19 no município, que chegou a 81% de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) destinadas a pacientes com o novo coronavírus. A determinação vai valer por tempo indeterminado.

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