Os danos provocados pelo consumo de cerveja com substâncias tóxicas podem ter começado há mais de três meses. A força-tarefa montada para investigar o caso envolvendo a Backer antecipou para outubro do ano passado o risco de contaminação da síndrome nefroneural, agora chamada de intoxicação por dietilenoglicol. Com a medida preventiva, os casos da doença vão aumentar, garantem as autoridades. Prova disso: nova notificação foi registrada nesta sexta-feira.

cerveja da backer
Todas as marcas da cervejaria Backer não podem ser vendidas em nenhum comércio do país

A suspeita de mais uma vítima ocorreu no mesmo dia em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou todas as marcas da empresa com data de validade igual ou posterior a agosto de 2020. A medida é cautelar e vale por 90 dias. Na segunda-feira, o Ministério da Agricultura já havia mandado a cervejaria recolher todos os rótulos – fabricados entre outubro e janeiro – e suspender as vendas.

Danos à saúde

De acordo com o governo de Minas, quem ingeriu qualquer rótulo e passou mal em um prazo de até 72 horas deve procurar uma unidade de saúde. “Às vezes, as pessoas apresentaram algum dano renal leve, mas desconhecem isso e precisam ser acompanhadas”, disse a infectologista da Unidade de Resposta Rápida do Estado, Virgínia Andrade.

Conforme a médica, os sintomas não vão progredir para a versão mais grave da intoxicação. Porém, a Secretaria de Saúde mineira (SES) precisa “documentar” os registros. 

“Nossa investigação passou também para os casos mais leves, para que possa ser feito o tratamento adequado”, acrescentou o superintendente de Vigilância Sanitária, Filipe Curzio Laguardia.

Os primeiros sinais da intoxicação são náuseas, vômitos e dores abdominais. Nos casos mais severos, o doente sofre alterações neurológicas.

Casos

Um morador de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, entrou para a lista de pessoas com suspeita da intoxicação. Já são 19 notificações –17 homens e duas mulheres. Quatro tiveram o dietilenoglicol detectado no sangue por exames – um morreu. Outros três óbitos seguem sob suspeita e 14 pessoas permanecem internadas com risco de morte. Não estão descartadas sequelas permanentes. 

Em nota, a Backer informou que “segue colaborando com as autoridades e vai respeitar a determinação da Anvisa”.