Apesar de contar com uma previsão orçamentária anual maior do que o valor aplicado em 2015, a área de prevenção e combate a incêndios florestais do Estado sofreu uma baixa no que diz respeito à estrutura. O número de brigadistas contratados é bem menor do que o previsto e ainda não há certeza se todo o recurso pedido para custeio de aeronaves usadas para o controle das queimadas será disponibilizado.

Em 2016, até o momento, foram direcionados R$ 8,9 milhões para as ações. O orçamento total prevê a liberação de outros R$ 20,9 milhões. Em 2015, o investimento na área foi de R$ 23,3 milhões.

Para evitar grandes prejuízos causados pelos incêndios nas áreas de proteção ambiental, foi solicitada a contratação de 529 brigadistas, mas foram liberados 381. “O Estado atingiu o limite prudencial e o número teve que ser reduzido. As contratações começam no mês de julho e, até a primeira quinzena de agosto, todos já devem estar atuando”, explica o diretor de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Rodrigo Bueno Belo.

Além dos brigadistas, que atuam dentro dos parques e em postos fixos, a estrutura do setor conta ainda com um convênio para utilização do grupamento aéreo da Polícia Militar, que está vigente, e com o aluguel de outras aeronaves (do tipo air track). Para esse aluguel, os valores ainda não estão fechados.

“Em 2015, tivemos disponíveis R$ 13 milhões para este tipo de gasto e pedimos uma quantia maior para este ano. Ainda não sabemos quanto teremos, mas esperamos que seja, no mínimo, o mesmo do ano passado. Mas achamos que ficará entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões”, afirma Belo.

Caso o valor fique abaixo, pode haver dificuldade no trabalho de combate a incêndio no Estado. Pode não parecer, pelos dados registrados até o momento, mas Minas não vive um ano tranquilo no que se refere a incidência de queimadas, sem contar que o período crítico, que vai de junho a novembro, mal começou.

“Como 2015 foi de muitas ocorrências, com uma área atingida muito grande, fica a impressão que as coisas melhoraram muito. Mas é preciso fazer uma média dos anos e não considerar apenas a comparação com um ano tão atípico como o que passou”, ressalta o diretor.
Apesar das chuvas registradas em maio, que podem postergar um pouco o início das ocorrências, o alerta deve estar sempre ligado. Nas regiões Norte e Nordeste de Minas o tempo está seco, com um alto déficit de chuva, o que facilita a formação e propagação dos focos de incêndio.

Uma realidade de todas as regiões ainda é a dificuldade de combate ao incêndio criminoso. “Enquanto não tivermos o entendimento da população de que o meio ambiente é de todos e que o recurso que será gasto para o combate também é de todos, essa realidade não vai mudar”, frisa Belo.