Uma câmera na cabeça e muitas histórias para compartilhar. Desde que tirou carteira de motorista, há cerca de um ano, o estudante de ciências contábeis Gustavo Henrique Rangel Prado, de 19 anos, queria ter uma motocicleta. Para ele, é o veículo mais econômico, ágil e prático para ir de casa ao trabalho e depois à faculdade.

Argumento que não convenceu a mãe de Gustavo, a perita Eutália Rangel. Ela só permitiu que o filho pilotasse com uma condição: instalando uma câmera no capacete. “Como ele gosta muito de moto, tinha medo de ele correr. Então falei: filma que eu quero ver o que você está fazendo”.

Assim, Gustavo passou a andar monitorado. E ele também começou a vigiar o trânsito em seu trajeto. “Dá para mostrar como o povo é roda dura”, brinca. O fato é que ele, há cerca de dois meses, resolveu observar e editar o material que sua câmera registra e compartilhar no YouTube os abusos que vê, diariamente.

O objetivo é chamar atenção para o desrespeito às regras e gerar uma reflexão. “Quero só que as pessoas vejam seus erros, elas desrespeitam muito as leis de trânsito, como se fosse uma bobeira, algo sem punição. Quero alertar para que façam a coisa certa”, diz, apesar de ele próprio dar as suas “escorregadas”.

Confira algumas imagens captadas pela câmera de Gustavo:

Ganhar tempo

As imagens compartilhadas mostram o rapaz andando pelos corredores, “costurando” com a motocicleta entre outros veículos. “Todo motociclista faz isso para ganhar tempo. Do contrário, comprava um carro e não uma moto”, argumenta.

Além dos seus erros, a câmera flagra outras irregularidades: motoristas estacionados em local proibido, ignorando o sinal de pare, na contramão e ônibus fechando o cruzamento. O motociclista também capturou uma batida policial.

“Umas das cenas que mais me chamou atenção foi na avenida Silviano Brandão, em horário de pico. Um motorista de escolar, que estava com o carro cheio de criança, parou no meio da rua e saiu da van para discutir com outro motorista. Ele ficou só uns cinco minutos parado, mas o suficiente para bagunçar o trânsito todo. Depois, foi embora sendo xingado e esbravejando com todo mundo, e as crianças perplexas vendo a cena”.

Gustavo roda diariamente cerca de 12 quilômetros, passa pelas avenidas Andradas e Silviano Brandão, rua Jacuí, entre outros grandes corredores. O Centro, especialmente no perímetro da avenida do Contorno, é a região onde flagra infrações. “É o lugar que tem mais problema, pelo volume de carro e a impaciência do povo”.

Possível prova

Para Eutália, a câmera também é um item de segurança. “O fato de estar filmando, faz com que ele tome mais cuidado, e se alguém fizer algo que gere um acidente, temos um registro”.

A preocupação da mãe não é infundada. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social, em 2014 as motocicletas estiveram envolvidas na maioria dos acidentes fatais ou graves: foram 9.329 registros.