O estudante de 19 anos, vítima de bullying, que atirou contra dois alunos da Escola Estadual Ephigênia de Jesus Werneck está preso no Presídio de Santa Luzia, na Grande BH. Segundo a Polícia Civil, ele será indiciado por dupla tentativa de homicídio. Na manhã de quinta-feira (4), Alexandre Esteves dos Santos, que é portador de necessidades especiais, levou uma arma para instituição onde estudava, no bairro Dona Rosarinha, e disparou contra dois adolescentes. Um deles já recebeu alta e o outro ainda está internado em um hospital da capital, que não será divulgado a pedido da família. O estado de saúde dele é estável.

Ao ser preso, o jovem confessou que cometeu o crime por ser vítima de agressões físicas e verbais dentro da escola. A arma seria de um tio que trabalha como policial militar. Segundo o comandante da 150ª Cia da Polícia Militar, Rodrigo de Lima Ferreira, na noite de quarta-feira, o tio de Alexandre foi visitar a família e dormiu na residência. O PM teria escondido a arma dentro de uma mochila e a guardado sobre um armário.

Alexandre então teria descoberto o revólver e o levado para a escola, onde se deparou com outros dois alunos que, supostamente, o perseguiam há anos por causa de sua deficiência. Jovens, que pediram para não serem identificados, relataram que primeiramente ouviram um barulho de rojão, parecido com o de uma bomba. Em seguida, escutaram pelo menos três disparos. As vítimas, de 16 anos, foram atingidas no ombro, de raspão na orelha e na região do abdômen, sendo imediatamente socorridas.

Ainda segundo testemunhas, a avó do suspeito teria procurado a direção da escola várias vezes para relatar os abusos cometidos por outros estudantes com o neto, que constantemente levava tapas na cabeça e era alvo de piadas. O suspeito, na visão dos demais, seria um rapaz calmo e aparentemente não oferecia perigo. Alexandre foi preso em flagrante pela patrulha escolar e conduzido para a 150ª Cia. O revólver foi apreendido e os alunos da escola foram liberados após o episódio.