Estudantes de todo o Brasil fazem neste domingo (24) as provas de matemática e de ciências da natureza do Exame Nacional do Ensino Médio, com 45 questões cada uma. Os estudantes terão cinco horas para resolver as questões. Os portões abriram às 11h30, as provas começaram às 13h30 e terminam às 18h30. Em Belo Horizonte, na PUC-Minas, um dos locais de maior concentração de candidatos da capital mineira, os portões abriram pontualmente às 12h e foram fechados às 13h. 

Assim como no domingo passado, o movimento de alunos para fazer o Enem foi abaixo do esperado e decepcionou quem tentava aproveitar o exame para faturar uma grana extra. A vendedora ambulante Rosângela Aparecida Ferreira, de 57 anos, saiu do Betânia – na região Oeste – com um isopor cheio de chup-chup para vender aos candidatos. 

Com o movimento fraco, a ambulante lamentou o prejuízo nas vendas e acredita que o medo das pessoas em relação à pandemia seja o motivo principal para o fracasso nas vendas. “As pessoas, infelizmente, têm medo de consumir as coisas na rua por conta da pandemia. E, além disso, o número de pessoas está muito abaixo. Infelizmente, em vez de faturar um dinheiro a mais, acho que vou ter prejuízo”, lamenta Rosângela. 

No campus Maracanã da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), um dos maiores locais de aplicação de prova na capital, a movimentação de candidatos começou antes mesmo do acesso à sala de prova ser liberado.

Enquanto alguns candidatos iam direto para a sala, outros preferiram esperar em um espaço aberto na entrada da universidade, onde seguranças abordavam as pessoas para que elas cobrissem o nariz e a boca com a máscara. 

No Rio de Janeiro, movimentos estudantis contrários à realização do Enem em meio à pandemia levaram faixas para a frente do campus Maracanã da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), pedindo um "um Enem justo" e classificando o exame como "excludente". 

Em busca de uma vaga no curso de medicina, Rodrigo Cunha, 20 anos, chegou cedo à Uerj para evitar o transporte público lotado. O morador do Complexo da Maré conta que está em sua terceira tentativa e que, neste ano, se sente mais preparado por ter cursado um pré-vestibular comunitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde sonha estudar.

"Me deu muito mais força e vontade de estudar", afirma ele, que, apesar disso, achou mais complicado se preparar somente com aulas remotas. "As aulas online foram muito difíceis. Tem sempre uma pessoa pra te distrair, alguém te chamando e até mesmo a preguiça".

No primeiro dia do exame, Rodrigo conta que se sentiu preocupado com a possibilidade de encontrar uma sala lotada, o que não ocorreu, segundo o estudante, porque mais da metade dos candidatos em sua sala faltou. Rodrigo considera que chegou mais tranquilo para o segundo dia da prova. "Espero que dê tudo certo". 

Interessada em uma vaga no curso de Nutrição, Sara Almeida afirmou que se sente preparada e confiante para a prova, depois de ter feito com tranquilidade o primeiro dia do exame. 

"Pra mim foi fácil, porque estudei e tive oportunidade de me preparar, mas nem pra todos foi fácil", pondera a estudante, que está em seu segundo Enem e trocou o pre-vestibular por uma plataforma paga de aulas online.

Covid preocupa

Sobre a prevenção à Covid-19, a moradora de Benfica afirma que chegou preocupada no primeiro dia do exame, mas se acalmou na hora da prova. "Eu me senti insegura, mas trouxe meu álcool gel dentro da bolsa e foi tranquilo".

Também em seu segundo Enem, Suelen Carvalho, de 22 anos, foi uma das primeiras a chegar à Uerj para evitar aglomerações no transporte público. No primeiro dia, ela conta que a volta da prova coincidiu com o fim do expediente de trabalhadores e lotou o transporte para o Complexo da Maré, onde mora.

"Considerando o contexto de pandemia, espero pelo menos não pegar o corona", afirma Suelen, que pretende cursar Biologia. Apesar da preocupação, a estudante conta que foi fazer a prova porque teme não conseguir isenção novamente no ano que vem se faltar ao exame. 

Para Samuel da Silva, de 19 anos, o Enem deste ano vai servir como um teste, porque ele pretende se preparar melhor no ano que vem para tentar uma vaga em Psicologia. 

"Estava esperando passar esse tempo de pandemia para ter aula presencial, porque muita gente não consegue aprender assim. Fui tentando estudar sozinho em casa e vim tentar fazer pra ver se consigo alguma coisa". 

O candidato saiu de Benfica de ônibus e conta que, apesar do medo de contrair a covid-19, se sentiu tranquilo para realizar a prova no primeiro dia do Enem. "Quando cheguei na sala não pensei nisso. Só pensei em fazer a prova e sair".

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