Eles poderiam escolher uma viagem à praia ou até mesmo um intercâmbio na Europa. No entanto, 14 adolescentes do Colégio Loyola, na região Centro-Sul de BH, colocaram os pés na estrada para um passeio bem diferente da realidade a que estão acostumados. Ontem, eles partiram rumo à zona rural de Montes Claros, no Norte de Minas, onde passarão uma semana na casa de famílias de uma comunidade local, com o desafio de viver uma nova cultura.

Nomeado de Missão Rural, o projeto idealizado pela instituição de ensino começou ainda nos anos 90, segundo Fabiano Carneiro, coordenador de formação social da instituição. “A proposta é a de que, durante o período de férias, os estudantes do ensino médio mergulhem em um novo mundo e tenham a chance de viver, ainda que por pouco tempo, em um ambiente carregado de valores que cada vez mais contrastam com os princípios do meio urbano”, explica.

Com 16 anos, Luíza Guimarães Raso participa pela segunda vez da experiência. Em julho do ano passado, foi acolhida na casa de dona Laninha e seu Tomé, de quem sente saudades até hoje.

Durante a semana que morou com o casal, entrou de cabeça na nova rotina, mais simples, mas nem por isso menos estimulante. Acordava “junto com as galinhas”, brinca a adolescente, que dormia antes das 20h. Ela também ajudou nos trabalhos domésticos e aprendeu a fazer queijo e a produzir polpa de fruta, atividades que geraram renda para manter o lar.

E essa não foi a única lição que Luíza levou da viagem. “O maior ensinamento é que posso ser feliz com pouco. Não preciso ter dinheiro ou roupa bonita. A vida pode ser bem melhor quando os bens materiais não têm tanto valor”, ressalta a estudante.

SURPREENDENTE
A percepção de outros alunos que participam da iniciativa é bem semelhante, diz Carneiro. Acostumado a acompanhar os adolescentes no passeio, ele conta que todos voltam bastante empolgados com a experiência. “Parecem mais felizes do que os colegas que viajaram à Disney”, compara. Além disso, avalia que os jovens ganham amadurecimento pessoal, percebido inclusive pelos pais.

Foi justamente esse o motivo que levou Lucca Penna, de 17 anos, a participar do projeto neste ano pela primeira vez. “Podia optar por outra viagem, mas estou atrás de algo que me traga conhecimento e formação pessoal”. Para tirar o proveito máximo da experiência, ele combinou que celular e redes sociais ficarão de lado – até mesmo porque não há internet no local onde estará hospedado. A meta é uma só: participar ativamente do cotidiano da família “adotiva”.