Paralelamente à pandemia de Covid-19, o vírus da dengue permanece uma ameaça no mundo, como doença endêmica em mais de 100 países e responsável pela hospitalização de cerca de 500 mil pessoas por ano, segundo a Organização mundial da Saúde (OMS). Um estudo da UFMG pode ajudar as autoridades a anteciparem a maior incidência de novos casos da doença a partir da variação do número de mosquitos Aedes aegypti. 

"Por exemplo, em uma região onde há um número absurdo de mosquitos, mas que permanece constante, existe uma chance menor de transmissão do que em uma região com poucos mosquitos que, de repente, passa a ter uma quantidade média", explica João Marques, professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (ICB). Ele escreveu o artigo junto com o professor Álvaro Eiras, também do ICB, e acadêmicos das universidades de Lancaster, no Reino Unido, e de Estrasburgo, na França.

Para Marques, a pesquisa reforça um ponto que os pesquisadores já tinham observado em estudos anteriores: a forma como se monitora hoje a população do mosquito Aedes aegypti no Brasil, calculada principalmente pela densidade de ovos ou de larvas, não é tão eficaz para o controle da dengue.

O estudo foi feito a partir da coleta de dados no município de Caratinga, na região Leste de Minas Gerais, nos anos de 2010 e 2011.

Em Minas Gerais já são 47.893 casos de dengue confirmados em 2020, e mais de 40 mil suspeitos, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, com oito mortes verificadas e outras 46 investigadas. Em Belo Horizonte, o último balanço da Secretaria Municipal de Saúde registrou 3.981 casos, além de 2.720 suspeitos e outros 6.961 descartados, sem nenhuma morte na capital mineira.