Um estudo que envolve pesquisadores de universidades brasileiras e internacionais identificou 12 potenciais drogas que podem desacelerar a replicação do novo coronavírus no organismo humano. A pesquisa utilizou um banco de dados de 50 mil moléculas. 

Os resultados estão reunidos no artigo Computacional Screening for Potential Drug Candidates Agains SARS-CoV-2 Main Protease, publicado na última quinta-feira (4), na revista F1000Research, com participação dos professores Aristóteles Góes-Neto, do Departamento de Microbiologia, e Vasco Azevedo, do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, além do residente de pós-doutorado Sandeep Tiwari, do Departamento de Biologia Geral, todos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“O objetivo foi selecionar as moléculas naturais mais parecidas com as daquelas drogas. Essas moléculas, ainda que não tenham sido sintetizadas quimicamente em laboratório, podem ser usadas como modelo ou protótipo para a fabricação de novas drogas”, observa Aristóteles Neto.

Os pesquisadores utilizaram a estrutura da principal enzima do novo coronavírus – chamada de mpro – e realizaram cálculos de acoplamento com os compostos naturais selecionados, descrevendo sua possível ação de bloqueio na replicação viral.

Segundo o professor Bruno Andrade, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), que é o primeiro autor do estudo, algumas das moléculas selecionadas se “encaixam” na proteína do vírus de maneira até melhor do que a hidroxicloroquina e o remdesivir. “Se forem capazes de bloquear a enzima mpro, as moléculas naturais inibirão o processo de replicação do vírus”, explica.

As substâncias foram identificadas em estudo computacional que rastreou cerca de quatro mil substâncias. A análise simula o encaixe dos elementos em proteínas do coronavírus, o que sinaliza sua capacidade de restringir a velocidade de sua replicação no organismo. 

O grupo de pesquisadores, que reúne virologistas, geneticistas, microbiologistas, químicos e bioinformatas de diversas instituições, planeja agora iniciar a realização de testes in vitro e buscar parcerias com empresas e universidades com grande poder de análise de banco de dados para tornar a identificação de substâncias naturais mais precisa.

Em um vídeo para a TV UFMG, o professor Vasco Azevedo, do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução do ICB, falou sobre o potencial da pesquisa em encontrar alternativas para diminuir os danos à saúde causados pela pandemia. 

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*Com UFMG