Um evento organizado nas 27 capitais do país pelas redes sociais promete ser o “maior protesto da história do Brasil” no próximo sábado, 7 de setembro, feriado de Independência do Brasil. Intitulado Operação 7 de Setembro (Op7) a manifestação já conta com 141 cidades brasileiras e uma no exterior engajadas na ação. Em Belo Horizonte, o protesto está marcado para começar as 14 horas na Praça 7, no Centro de Belo Horizonte.  

Pelo Facebook, mais de 11.500 pessoas já haviam confirmado presença no evento. Em Minas Gerais, 15 cidades além da capital mineira têm manifestação agendada para o feriado, são elas: Betim e Nova Lima, na Grande BH, além de Caldas Novas, Cambuí, Divinópolis, Extrema, Itajubá, Juiz de Fora, Montes Claros, Patos de Minas, Passos, Piumhi, Pouso Alegre, São Sebastião do Paraíso e Uberaba.

Na Nova Zelândia, brasileiros também estão organizados para protestar em frente à igreja cristã da Cashel Street, às 14 horas. Até a publicação desta matéria, mais de 380 mil internautas já tinham confirmado presença no evento de mobilização nacional.

Assim como nas manifestações de maio e junho que mobilizaram milhões em todo o Brasil, o trajeto do protesto só será definido na hora. “Por uma questão de segurança mesmo, vamos definir tudo isso com os presentes. Nós organizadores devemos chegar na Praça 7 por volta de meio dia para começar a mobilização”, afirmou Lucas Veloso.

O horário agendado para a manifestação pode sofrer alterações, conforme Veloso. Ele informou ainda que o ponto final do protesto será na porta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no bairro de Santo Agostinho, na região Centro-Sul. 

A pauta do protesto foi definida por uma enquete virtual que contou com 26 mil votos. Os internautas definiram reivindicar pela prisão imediata dos mensaleiros, fim do voto obrigatório (PEC 159-2012), aprovação e cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE), redução do número de deputados e representantes, reforma tributária (PEC 233/2008), aprovação e cumprimento da “Lei de Combate a Corrupção”, pelo Plano Nacional de Educação e pelo Projeto que cria o Sistema Nacional de Combate à Corrupção (PL 7.368/2006). 

Veja o vídeo produzido pelos organizadores da Operação 7 de Setembro:

 

Filosofia, máscaras e cartazes

A Op7 considera que as causas são suprapartidárias, ou seja, está acima dos interesses políticos de partidos específicos. “Todos os partidos podem se identificar com essas causas, mas nenhum partido é dono das mesmas”, afirma a descrição do evento no Facebook.

Os organizadores explicam ainda que “qualquer ato fascista ou conclamando um golpe militar, que disfarçadamente é chamado de intervenção militar, não faz parte da real idéia da Operação Sete de Setembro. A Operação não é de esquerda, direita ou centro, não tem partidos, não tem bandeiras, não tem siglas”, diz.

De acordo com Lucas Veloso, a intenção é atrair o maior número de pessoas, mesmo aquelas que não estejam estritamente engajadas com as pautas. “Quanto maior o fluxo, mais conseguiremos chamar a atenção da mídia e dos representantes para as discussões”, afirmou.

Sobre os riscos dessa proposta atrair vândalos, baderneiros e saqueadores, como ocorreu em junho na Pampulha, Veloso mostra-se confiante na expressividade do momento de forma pacífica.

“Qualquer evento de grande porte nacional, como um clássico de futebol ou o Carnaval atrai gente aproveitadora. Isso sempre acontece, mas é claro que a nossa intenção é fazer uma manifestação sem conflitos”, afirmou.

Ele justificou ainda que pensando em evitar confrontos e desorganização, o evento foi marcado para a tarde de sábado para que a agenda não se chocasse com o Desfile de 7 de Setembro e com a Marcha do Grito dos Excluídos, marcados para a manhã do mesmo dia.
 
O uso de máscaras e a elaboração de cartazes serão atividades de livre escolha dos manifestantes, de acordo com Velloso. “O uso de máscara é algo muito pessoal, há quem use por proteção. O que a gente quer é que as pessoas tenham liberdade para protestar”, contou.

Confira onde vão ocorrer as manifestações no Brasil:

 

 


Organização

A Operação 7 de Setembro está sendo organizada desde o fim de junho com lideranças de todas as capitais nacionais. Muitos dos encontros foram realizados pela web, outros foram feitos presencialmente, no Rio de Janeiro, durante uma ocupação em junho e que contou com a presença de representantes de Goiânia, Porto Alegre e São Paulo. “Os organizadores de todos os estados tinham o objetivo de fazer uma publicação com imagem ou vídeo, aos poucos, fomos definindo tudo pela internet”.

Atualizada às 15h01.