O prefeito de Caratinga entre 2009 e 2011, no Vale do Rio Doce, além de um ex-secretário de governo e quatro ex-vereadores foram condenados pela Justiça, após denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por corrupção ativa ou passiva, no caso que ficou conhecido na região como "Mensalinho de Caratinga". As penas variam de sete a oito anos de prisão. Os condenados poderão aguardar em liberdade o julgamento de recursos.

De acordo com as investigações do MPMG, entre 2009 e 2011, por não ter maioria na Câmara Municipal, o então prefeito de Caratinga e seu secretário de Desenvolvimento Econômico montaram um esquema de pagamento de propina a quatro vereadores do município. Em troca, conseguiram apoio político para aprovar projetos e também evitar a fiscalização de seus atos no Poder Executivo. 

Dentre as comprovações de crime estão gravações que mostram os parlamentares recebendo propina. Também foram feitas buscas e apreensões, além de quebra de sigilo bancário, que resultaram em provas, como uma agenda de 2010 do ex-secretário com detalhes do esquema e dois comprovantes de depósito em sua conta bancária, um de R$ 100 mil e outro de R$ 13 mil, realizados pelo então prefeito para a compra do apoio dos vereadores.

As investigações apontaram ainda que, em forma de propina, um dos ex-vereadores recebeu R$ 24 mil, o outro R$ 40 mil, o terceiro R$ 27 mil e o quarto R$ 15 mil. As quantias faziam parte do acordo para que os políticos votassem alinhados com o Poder Executivo. Esses valores eram entregues, na época, aos quatro parlamentares no gabinete do ex-secretário, que filmava tudo. O objetivo seria chantagear e pressionar os quatro vereadores a manterem fidelidade ao governo.

Na época, ainda de acordo com o MPMG, o relacionamento entre os poderes Executivo e Legislativo de Caratinga era marcado por cobranças mútuas. De 2009 a 2011, o então prefeito foi investigado em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e em comissões processantes. Mesmo nesse cenário de instabilidade, o político se livrou das investigações e aprovou a maioria dos projetos de interesse do Poder Executivo.

Nesse período, mesmo sem maioria na Câmara, o governo conseguiu aprovar projetos importantes, como um de Gestão Urbana e outro do Consórcio Intermunicipal.

Um desses políticos, sentenciado a sete anos de reclusão pelo envolvimento no esquema de compra de votos no período entre 2009 e 2011, é, atualmente, vereador do município. Esse fato levou a Justiça a determinar também a perda de seu atual mandato parlamentar. A justificativa foi de que ele ainda representa um risco à administração pública, uma vez que já usou, anteriormente, seu cargo público para receber vantagem indevida.