Ex-secretário de Saúde de Minas diz na CPI que não sabia da vacinação dos servidores em home office

Marina Proton
mproton@hojeemdia.com.br
20/05/2021 às 08:52.
Atualizado em 05/12/2021 às 04:58
 (Reprodução/ Facebook)

(Reprodução/ Facebook)

O ex-secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, foi ouvido nesta quinta-feira (20) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fura-filas, que investiga irregularidades na vacinação contra a Covid de servidores. Ele afirmou que até a sua demissão, em 11 de março, não sabia que funcionários em home office tinham sido imunizados.

Amaral é o principal investigado na CPI. O depoimento foi realizado na Assembleia Legislativa (ALMG). “É complexo um secretário conferir lista. Até o dia que fui exonerado, não tinha informação nenhuma de que alguém em trabalho remoto tivesse sido vacinado”.

Durante a CPI, o ex-representante da pasta também negou irregularidades na imunização dele e dos demais trabalhadores. Carlos Eduardo afirmou que estava “convicto” de que aquele era o momento certo, já que, segundo ele, os profissionais da linha de frente já haviam sido vacinados. Além disso, também afirmou que não há fura-fila na pasta, já que a SES é um serviço essencial.

“Chegou o momento para a secretaria ser vacinada, e eu como servidor padrão aguardei o grupo que me cabia, fui chamado e compareci”, afirmou.

Questionado sobre ter recebido a primeira dose, ele revelou que estava inserido no grupo três do plano nacional de imunização. Segundo as informações da CPI, porém, o ex-secretário estava no grupo 4. Durante a declaração, o deputado João Vitor Xavier, que preside a comissão, acusou o ex-secretário de estar mentindo.

"O senhor está mentindo na CPI. Sou obrigado a dizer aqui que o senhor está mentindo, não aconteceu assim. Estamos nessa investigação há quase dois meses e temos documentos que comprovam que na data em que você foi vacinado, algumas pessoas dos grupos 1, 2 e 3 não tinham sido vacinados. Temos documentos que mostram que o senhor, o seu adjunto e o seu chefe de gabinete foram vacinados no primeiro dia", refroçou o deputado.

Exemplo para servidores

Ainda durante o depoimento, Carlos Eduardo Amaral disse que teria sido vacinado para dar exemplo aos servidores - diferente do que disse em 10 de março, quando afirmou que o exemplo seria para a população de um modo geral.

"Eu, quando estive aqui da última vez, não falei que daria exemplo para a população. O exemplo era para os servidores de que, chegado o momento de ser vacinado, na ordem correta, seria imunizado como qualquer outro trabalhador”. O ex-secretário também revelou que ainda não recebeu a segunda dose da vacina. 

Veja a íntegra do depoimento: 

Investigação 

Além do ex-secretário, a comissão investiga 2.680 servidores vacinados – boa parte sem pertencer à linha de frente do combate à pandemia ou mesmo a grupos de risco, além de atuar em sistema de home office – que teriam desrespeitando a lista de prioridade do programa nacional de imunização.

Os trabalhos da CPI, instalada há dois meses, podem durar até 120 dias. Até o momento, mais de 20 pessoas foram ouvidas. Os últimos depoimentos foram da subsecretária de Vigilância em Saúde, Janaína Passos de Paula, e do ex-secretário adjunto de Saúde, Marcelo Cabral. 

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