Exclusão dos grupos de WhatsApp da igreja teria sido o gatilho para massacre em Paracatu

Juliana Baeta
31/05/2019 às 14:26.
Atualizado em 05/09/2021 às 18:54
 (REPRODUÇÃO / REDES SOCIAIS)

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A Polícia Civil esclareceu a motivação para o massacre ocorrido em uma igreja evangélica de Paracatu, na região Noroeste de Minas, no último dia 21. A hipótese de feminicídio, já que a ex-namorada do suspeito está entre as vítimas, foi descartada. 

Segundo a delegada Thays Regina Silva, que preside o inquérito que apurou os crimes cometidos por Rudson Aragão Guimarães, de 39 anos, o afastamento dele da posição de liderança na célula religiosa foi o motivo da vingança. 

"Após ser afastado, ele passou a difamar o pastor da igreja nos grupos de WhatsApp da comunidade religiosa e, devido a isso, foi removido dos grupos pelo pastor. Isso lhe teria causado ira, revolta e indignação, que ele dirigiu não somente ao pastor, mas a todo o grupo de lideranças da igreja", explica. 

A ex-namorada dele continuou frequentando a igreja e participando das reuniões, o que teria potencializado a raiva do suspeito, mas não apenas isso. "Conseguimos esclarecer que o que pode ter aumentado este sentimento de ira é também o fato de ela se negar a fornecer os empréstimos que ele vinha pedindo. Então, talvez ele a culpasse pelo término do relacionamento e por ela não fazer o que ele queria. Mas foi demonstrado que durante todo o tempo ela era muito carinhosa e atenciosa com ele, e sempre tentava ajudá-lo, gostava muito dele", diz a delegada. 

Rudson foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva. Ele está sendo indiciado pela prática de quatro homicídios consumados com dois qualificadores - motivação torpe e impossibilidade de resistência das vítimas -, e também por homicídio tentado com os mesmos qualificadores. 

Crime premeditado

A possibilidade de que Rudson tenha tido um surto que o levou a cometer o crime foi afastada pela polícia. "Conseguimos delimitar que ele teria premeditado o crime e teve total capacidade de determinação durante a execução, inclusive, com relação às vítimas", esclarece a delegada Thays Regina Silva. Durante o interrogatório, no entanto, Rudson disse que não se lembrava de nada e se manteve em silêncio. 

O massacre

Na noite de terça-feira (21), Rudson matou a ex-namorada, Heloísa Vieira de Andrade, de 59 anos, e outras três pessoas. Primeiro, ele foi até a casa da própria mãe e esfaqueou a ex-companheira. Em seguida, portando uma garrucha de calibre 36, o militar entrou em uma igreja evangélica localizada ao lado da residência, no bairro Bela Vista. 

Lá ele matou Antônio Rama, de 67 anos, pai do pastor do templo, e duas frequentadoras da igreja, Marilene Martinho de Melo Neto, de 52 anos, e Rosângela Albernaz, de 50.

Quando os policiais chegaram, exigiram que o homem largasse a arma. De frente para os militares, ele logo fez uma mulher de refém e, em meio à negociação, atirou na última vítima. Em seguida, um policial atirou na clavícula do suspeito, que recebeu atendimento médico e foi levado para o hospital da cidade. 

O pastor da igreja, que seria o principal alvo do atirador segundo as primeiras informações após o crime, fraturou o pé enquanto fugia do atirador.

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