Qual paraplégico não sonha em andar novamente? Nos últimos anos, essa possibilidade tem se tornado cada vez mais possível com a ajuda de equipamentos desenvolvidos em centros de pesquisa. Agora, cientistas mineiros também indicam que podem criar aparelhos de baixo custo que, além de permitir a locomoção, previnem problemas de saúde e até melhoram o aspecto psicológico do paciente.

exoesqueleto mineiro

É o que promete um exoesqueleto desenvolvido na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapemig). A estrutura é formada por quatro pernas, cada uma constituída por mecanismos que permitem a pessoa a se movimentar. 

Os trabalhos são coordenados pelo professor Rogério Sales Gonçalves, da Faculdade de Engenharia Mecânica da instituição de ensino. Segundo ele, o modelo foi escolhido porque dá sustentação, estabilidade e segurança ao usuário: sempre haverá duas pernas em contato com o piso.

O movimento é realizado a partir da força da própria pessoa. Há outros equipamentos em estudo que têm a mesma função, mas é acionado por motores. “Essa é a principal inovação do (nosso) aparelho, uma vez que se tem uma estrutura de baixo custo que permite a movimentação e exercícios de todo o corpo do usuário, proporcionando-lhe, ainda, uma melhora em sua saúde”, destaca Rogério Gonçalves.

Prevenção de doenças

O especialista da UFU frisa que os benefícios vão além de permitir o paciente se movimentar. A paraplegia pode provocar diversos problemas, como escaras (feridas profundas na pele), osteoporose, infecção urinária e doenças cardíaca e nos rins, dentre outros.

A ideia é que, com o exoesqueleto, o usuário tenha condições de realizar atividades simples, como conversar em pé com outras pessoas, melhorando a circulação sanguínea nas pernas. O equipamento também possibilita melhores condicionamentos físico e respiratório e fortalecimento dos braços.

Próximos passos

Uma patente do exoesqueleto já é administrada pela Universidade Federal de Uberlândia e Fapemig. A expectativa é a de que, em breve, o aparelho seja aprovado pelo Comitê de Ética para testes com seres humanos.

Com a autorização, voluntários serão selecionados para participar da pesquisa.