A vacinação contra o novo coronavírus pode ser iniciada em Belo Horizonte em 42 dias, 24 horas após a aplicação começar em São Paulo, em 25 de janeiro. Na capital mineira, os primeiros a receberem o imunizante serão os profissionais da saúde das redes pública e privada. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) calcula cerca de 200 mil doses para atender aos trabalhadores.

O prazo para o start na campanha é baseado em projeções dentro de um cenário no qual o governo federal não consiga atingir toda a população o mais rápido possível – e a Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, seja aprovada pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A estimativa é que a imunização siga o cronograma nacional”, frisou a PBH em nota.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19, apresentado no último fim de semana ao Supremo Tribunal Federal (STF), será lançado hoje pelo Ministério da Saúde. Enquanto o programa segue em discussão, 39 municípios se articulam para adquirir a proteção por conta própria.

Acordo fechado

Prefeito de BH, Alexandre Kalil fechou, ontem,  acordo com o governador de São Paulo, João Dória, para a aquisição da Coronavac para profissionais de saúde da capital mineira.

Segundo o biofísico Rômulo Neris, doutorando em Imunologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a estratégia de imunização segue o que preconizam as autoridades sanitárias no mundo. Duas categorias são prioritárias, uma vez que, inicialmente, não será possível cobrir toda a população. 

“Precisamos imunizar primeiro as pessoas com mais risco de desenvolverem complicações associadas à Covid e vir a óbito e os que têm maior exposição ao vírus e, consequentemente, maior chance de transmiti-lo. Quem está mais exposto também pode desenvolver a forma mais severa da doença”, explicou o especialista, que integra a Equipe Halo, projeto da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne cientista de todo o mundo para facilitar a comunicação entre a ciência e o público. 

Nesse sentido, idosos e profissionais de saúde devem estar na frente nas campanhas de vacinação. “A mortalidade entre os indivíduos com mais de 80 anos pode chegar a 25%”, completou Rômulo.

O estudioso diz que profissionais da educação também devem ser incluídos. “Esse é um dos grandes desafios para a retomada das aulas presenciais. Apesar de as crianças não desenvolverem a doença mais gravemente, elas podem transmitir aos familiares e há professores nos grupos de riscos”.

Apesar do acordo celebrado com São Paulo, ainda não se sabe quantas doses, de fato, BH receberá. Por meio da assessoria de imprensa, o Instituto Butantan, que desenvolve a Coronavac em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, informou que o que existem são protocolos de intenções. O quantitativo só será definido após aprovação do imunizante pelas autoridades sanitárias.

 

ALÉM DISSO:

A chegada de uma vacina contra o novo coronavírus é aguardada com muita expectativa pela presidente do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Carla Anunciatta. “Oficialmente ainda não recebemos nenhuma informação. Mas, de acordo com pesquisadores, todos os governantes interessados em vacinar sua população estão preocupados em reservar as doses com antecedência e planejar estratégias que contemplem, principalmente, as pessoas do grupo de risco”, avaliou.

Procurado, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG) informou, em nota, não se manifestar nesse sentido, mas que “orientará os médicos a seguirem as normas editadas pelos órgãos reguladores sanitários, e que tenham obedecido as normas de pesquisa em seres humanos em todas as suas fases”.

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado ontem pela PBH, 1.497 profissionais de saúde da rede municipal e privada (que fizeram exames no SUS) testaram para positivo para Covid-19 desde o início da pandemia – a maioria técnicos de enfermagem (253) e agentes comunitário de saúde (114).

Em toda a cidade, exatos 58 mil moradores foram infectados pelo novo coronavirus. Ao todo, 1.753 morreram.