Fechada desde março devido à pandemia de Covid-19, a Feira de Artesanato da avenida Afonso Pena, mais conhecida como Feira Hippie, poderá retomar o funcionamento em Belo Horizonte nas próximas semanas. A ideia da prefeitura da capital é de retorno com 50% da feira e alternância dos feirantes a cada domingo.

A possibilidade de retomada nessas condições foi apresentada pela PBH em reunião, na semana passada, com membros da comissão paritária, que representa os feirantes. A ideia está em avaliação pelo grupo, que é composto por cerca de 1,7 mil expositores. 

Além disso, a prefeitura e representantes dos feirantes estão realizando um censo com os comerciantes para avaliar qual a porcentagem deles querem retomar o trabalho durante a pandemia. "Caso haja queda expressiva no interesse, algum outro protocolo poderá ser analisado", informou a prefeitura, em nota.

Para o feirante de arranjo de flores Luís Cláudio Martins de Almeida, de anos 63, membro da comissão paritária, o ideal é que exista outra solução para a retomada dos trabalhadores, como a ampliação do tamanho da feira - que passaria a funcionar, durante a pandemia, entre as praças 7 e Milton Campos. Atualmente, o espaço é limitado entre as ruas da Bahia e dos Guajajaras, no Centro.

"Soube pela imprensa dessa possibilidade, mas nada disso foi falado em reunião, oficialmente. Se ocorresse, eu tenho certeza que caberia todo mundo. Nosso interesse é que retorne 100% dos feirantes. Todos têm que trabalhar. 50% é um número baixo para as pessoas que precisam retornar ao trabalho. O comércio todo voltou, de segunda a sábado. São 4 dias. A feira é um dia só", afirmou Almeida, que atua na feira há 43 anos.

Apesar de defender o retorno do total de feirantes, Luís explica que a comissão aguardará o resultado da pesquisa da prefeitura, o que deverá ocorrer em 15 ou 20 dias, para tomar uma decisão para todo o grupo. Segundo ele, uma parcela dos feirantes não deverá retornar durante a pandemia, pois têm mais de 60 anos e, portanto, têm maior risco de complicação em caso de contaminação.

Segundo a prefeitura, a proposta de retomada com 50% dos feirantes e com alternância de feirantes foi criada com base nos parâmetros de distanciamento social colocados pela vigilância sanitária. A retomada, segundo a administração municipal, só ocorrerá quando os índices sanitários permitirem.

No mês passado, o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, afirmou que a feira não voltará da forma que ocorria, com aproximadamente 2 mil barracas dispostas entre as ruas da Bahia e dos Guajajaras.

A reportagem entrou em contato com a PBH para falar sobre a possibilidade de ampliação do espaço físico da feira, mas o questionamento não foi respondido.

A administração enviou a seguinte nota:

A Prefeitura de Belo Horizonte, em reunião nesta última semana com a comissão paritária, apresentou a proposta de retorno de 50% da feira com alternância dos feirantes a cada domingo, quando os índices sanitários permitirem. A proposta foi feita com base nos parâmetros de distanciamento social colocados pela vigilância sanitária. A comissão paritária está avaliando a proposta e, junto com a PBH, fazendo um censo para apurar, junto aos feirantes, aqueles que querem retornar durante a pandemia. Caso haja queda expressiva no interesse, algum outro protocolo poderá ser analisado.