Pelo menos 100 passageiros, entre brasileiros e estrangeiros, foram impedidos de viajar para Montevidéu, no Uruguai, nesta sexta-feira (6) no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Isso porque a Pluna encerrou suas atividades devido a uma determinação do governo uruguaio, porém, os passageiros só foram informados do fechamento da companhia quando chegaram ao aeroporto para fazer o check-in, por volta das 13 horas. 
 
A insatisfação e frustração era geral no terminal, já que no guichê da Pluna os funcionários informaram apenas um número de contato com o call-center da companhia para que os passageiros solicitassem o reembolso da passagem. O voo 00614, com destino a Montevideu com escala em Buenos Aires, marcado para sair às 15h18 desta sexta-feira foi cancelado. Muitos passageiros compraram as passagens pelo site Decolar.com, que continuava oferecendo pacotes de viagens pela Pluna, até as 17 horas desta sexta-feira. 
 
O professor universitário Roberto Figueiredo, de 36 anos, terá que adiar o mestrado devido ao incidente. "Cheguei ao aeroporto, embalei minha mala e fui surpreendido com essa informação lamentável", contou. Figueiredo é professor do curso de Ciência Aeronáutica e não se conformava com a posição da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). "A Anac  provou não ter competência para administrar uma empresa internacional, porque disseram que se a companhia fosse brasileira poderiam nos remanejar para outro local", disse. 
 
Uma passageira que preferiu não ser identificada está de férias e pretendia passar alguns dias em Buenos Aires para descansar, porém, ela só encontrou estresse e confusão quando tentou embarcar para o seu destino. "Tem muita gente aqui que tinha compromissos no exterior e que estão sem informação e indignados. É um desrespeito enorme com o cliente. A Anac não nos deu assistência e disse que teremos que entrar na Justiça", disse. 
 
Segundo ela, inicialmente, os funcionários haviam informado que o cancelamento do voo devia-se a uma greve dos funcionários, porém, mediante a pressão dos passageiros que estavam no local, eles acabaram cedendo e entregando uma declaração informando o fim das atividades. "Não tem lógica isso, eles simplesmente disseram que a empresa tinha encerrado as atividades. E quem estava com hotel reservado e passeios comprados?", reclamou. 
 
Outra passageira que estava indignada com a situação era a administradora Sirlene Josefa da Silva Arantes, de 42 anos. Ela iria passar o fim de semana em Buenos Aires com o marido e já havia pago as despesas do hotel à vista. "É um descaso muito grande com a gente. Tem estrageiro iria voltar para casa e não têm lugar para ir, estão pior do que eu", disse. 
 
A assessoria de imprensa da Infraero informou que prestou toda a assistência na mediação entre a Pluna e os passageiros, com o apoio da Polícia Militar e Federal. Segundo a Infraero, não é de responsabilidade do órgão fazer remanejamento de passageiros e, sim, cuidar da infraestrutura do aeroporto. Ainda conforme a Infraero, todos os passageiros foram atendidos pela Pluna - mas o tipo de atendimento prestado não cabe ao órgão informar. Como não foram cumpridos os direitos dos passageiros, a Anac deverá analisar o caso.
 
No início da noite, a TAM informou que está prestando atendimento a todos os clientes que viajariam em code-share com a companhia estrangeira Pluna. Detentora de um acordo de compartilhamento de voos com a aérea uruguaia Pluna desde 2008, a TAM está reacomodando em outros vôos e o reembolso das passagens está isento de taxas.
 
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Pluna operava 88 frequências semanais com origem ou destino no Brasil. No total, sete cidades são atendidas pela aérea uruguaia no País: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Brasília, Porto Alegre e Foz do Iguaçu.
 
Por meio de nota a Pluna informou que o governo uruguaio desde o dia 15 de junho passado anunciou a suspensão das atividades da empresa, por tempo indeterminado, devido à situação financeira da empresa. Com isso, o voo 00614, com destino à Montivideo, previsto para sair às 15h18 desta sexta-feira (6) do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, foi cancelado. Confira a nota na íntegra ao final da matéria.
 
Ocorrência
 
Pelo menos 30 passageiros registraram boletim de ocorrência na Polícia Militar relatando o problema com a Pluna. Eles devem entrar na Justiça para reaver o valor das passagens e cobrar pelos direitos que foram desrespeitados. "Vou cobrar danos morais, materiais e tudo o que eu tiver direito depois dessa. Esse cancelamento vai me causar uma gama enorme de problemas, estou indignado", disse o professor universitário Roberto Figueiredo. 
 
Nota da Pluna
 
As Linhas Aéreas Uruguaias S.A anunciam a suspensão de todos os seus voos por tempo indefinido, em função da situação econômico-financeira da empresa, o que torna impossível garantir a adequada operação", destaca o comunicado da Pluna.
 
O consórcio privado Leadgate, que possuía 75% da empresa aérea, transferiu suas ações ao Estado uruguaio diante de sua incapacidade para enfrentar a capitalização necessária para manter a companhia operacional.
 
A Pluna garante que usará todos os recursos disponíveis "para contatar os passageiros afetados por estas circunstâncias e obter a melhor solução possível.