Pelo menos 40 idosos podem ter sido vítimas de golpes aplicados por duas irmãs apresentadas ontem pela Polícia Civil, em Belo Horizonte. As suspeitas, de 49 e 51 anos, se passavam por religiosas para invadir casas em mais de 20 cidades mineiras. As mulheres furtavam dinheiro e cartões bancários desde 2011.

Só entre janeiro de 2018 e março deste ano, as investigações contabilizaram um lucro de R$ 200 mil com o crime. Elas são apontadas pela corporação como as principais operadoras de armadilhas contra maiores de 60 anos no Estado. As duas têm passagem por furto e estelionato.

O trabalho de apuração começou em fevereiro. De acordo com a polícia, a forma de atuação das irmãs facilitou a identificação de quem foi lesado. Em todos os casos, a dupla procurou por idosos em bairros periféricos. Além de fingir participar de grupos religiosos, as criminosas simulavam estar passando mal, para pedir socorro, ou manifestar interesse por imóveis com placas de aluguel. 

Quando entravam nas residências, uma das irmãs conversava com o morador enquanto a outra pedia para ir ao banheiro ou para buscar um copo d’água. “Nesse momento, essa mulher procurava por cartões bancários, dinheiro e objetos de valor que poderiam ser facilmente furtados”, explicou o delegado Thiago de Lima Machado.

Com o golpe consumado, tentavam estabelecer relações de amizade para conseguir um contato telefônico. “Posteriormente, ligavam se passando por funcionárias de banco e, já com todas as informações pessoais e bancárias, solicitavam senhas e códigos de desbloqueio para realizar saques e empréstimos”, acrescentou o delegado.

As irmãs contavam com a ajuda do namorado de uma delas, de 46 anos. Ele também foi preso, em 12 de março, em Ribeirão das Neves. Nessa data, os três visitaram mais de 20 imóveis na cidade da Grande BH. O homem atuava como motorista, levando as mulheres às casas. A polícia ainda investiga a participação do filho da outra suspeita, um jovem de 29 anos, que estava foragido desde 2014, mas acabou preso em Contagem durante uma investigação de tráfico de drogas.

Em um dos golpes, um idoso que mora na Pampulha perdeu R$ 60 mil com a ação das irmãs no ano passado. Uma outra vítima é um morador de 100 anos de Conselheiro Lafaiete, na região Central. Segundo a Polícia Civil, as mulheres devem ser indiciadas por furto qualificado e associação criminosa. Em caso de condenação, a pena pode chegar a 13 anos de cadeia.

Uma das irmãs disse que “não cometeu nada grave”. A suspeita descartou o envolvimento dos filhos e se disse arrependida. “Às vezes, no supermercado, eu pegava alguma coisa, porque qualquer mãe que vê seu filho passando necessidade quer resolver o problema, mas golpe nunca apliquei”, disse a mulher.