O farmacêutico Caio Júlio César Garcia de Souza, de 57 anos, preso na última quarta-feira (4) ao se passar por médico que realizava inseminações artificiais nas pacientes, já fez outra vítima.

No final de 2013 R.C.M.R., uma moradora de Rio Vermelho, na região Central do estado, pagou R$ 8 mil pelo serviço de fertilização in vitro, realizado na mesma clínica em que Souza foi preso em Belo Horizonte.

Ela processou o suspeito, e agora aguarda na Justiça. “A vítima chegou a fazer três procedimentos e nenhum deu certo. Uma colega de trabalho a aconselhou a pesquisar o resgistro no CRM e viu que ele não existia”, relatou o advogado da mulher, Edmilson Dias da Silva.

Souza responde a processo por erro médico e danos morais e materiais. De acordo com o advogado, R. teve fortes dores no abdômem após o tratamento e enfrentou estresse pós-traumático depois do episódio.

“Ela e o marido demoraram anos para juntar a quantia que foi paga ao suspeito”, completou. O casal tentou negociar com o falso médico a devolução do dinheiro, mas ele se negou a devolver a quantia.

R. descobriu o trabalho de Souza da mesma forma que a vítima da última quarta-feita, por meio de um site na internet intitulado "Infertilidade e Fé". A Polícia ainda não sabe se o falso médico atendeu a outras pacientes, mas o caso está sendo investigado.

CRIME

Caio Souza foi preso no fim da manhã de quarta-feira em seu consultório no bairro Santa Efigênia, região Centro-Sul da capital. “O suspeito ainda tentou subornar os militares oferecendo R$ 30 mil para que não fosse preso”, disse o cabo Eduardo Alves.

A princípio, Souza, que, na verdade, é farmacêutico, negou as acusações, mas depois confessou que iria realizar o procedimento de inseminação artificial na mulher. "Eu iria fazer só desta vez pois eu precisava do dinheiro", afirmou o suspeito à reportagem do Hoje em Dia. Ele alegou ainda que fez um curso para realizar o procedimento.

A vítima, que preferiu não se identificar, disse que descobriu o trabalho de Caio por meio de um site na internet. Ela também pesquisou outras clínicas, mas o único que retornou o contato após o orçamento foi Caio. "O preço que ele cobrava era abaixo do mercado de BH, mas dentro da média de São Paulo", disse.

O encontro de ontem seria o terceiro. "Desconfiei porque os termos que ele usava não eram médicos. E ele não explicava direito o resultado dos exames", disse a mulher que também é profissional na área da saúde. Ela chegou a tomar três remédios receitados por ele.

Ao constatar a falsidade do registro de médico de Souza, a vítima chegou na clínica e disse a ele que descobriu a verdade. "Ele ficou atônito porque não imaginava que eu iria descobrir. Me pediu perdão e disse que devolveria o dinheiro", afirmou.

Ela estava acompanhada do marido e eles foram até o banco onde a quantia de R$ 7 mil foi devolvida. Em seguida, o marido, que é sargento da Polícia Militar, deu voz de prisão para o falso médico. Eles também pretendem processar o suspeito.

*Com informações de Thaís Oliveira