GOVERNADOR VALADARES – A escassez hídrica é crítica em um dos principais municípios de Minas, Governador Valadares, no Leste do Estado. Com o rio Doce apresentando o mais baixo nível da história, a captação atinge apenas um terço do volume necessário, afetando serviços essenciais. O Hospital São Vicente de Paulo vem adotando manobras emergenciais para evitar o adiamento de cirurgias.

Um dos desafios tem sido manter a lavanderia e a cozinha em funcionamento, porque demandam muita água. No dia mais problemático, no sábado, cirurgias atrasaram, irritando pacientes que chegaram cedo, em jejum.

A situação foi normalizada com o envio, pela prefeitura, de um caminhão-pipa do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), que teve de retornar nessa segunda (26) com mais 12 mil litros. “Ainda bem que temos o SAAE, porque, do contrário, não saberíamos o que fazer”, afirmou a gerente administrativa Patrícia Pessoa.

Nos cerca de 50 minutos em que o caminhão-pipa ficou na porta do hospital, pelo menos cinco pessoas perguntaram aos funcionários da autarquia como poderiam ter suas casas abastecidas. O pedido pode ser feito por telefone (115).

DEMANDA

Valadares tem cerca de 270 mil habitantes. Para atender a tanta gente, é preciso captar mil litros de água por segundo do rio Doce. O problema é que o nível está tão baixo que as quatro bombas fixas tiveram de ser desligadas. Uma delas queimou. Apenas uma bomba submersa envia 300 litros por segundo para a estação de tratamento.

A promessa era a de que, nessa segunda (26) à tarde, começasse a funcionar uma nova bomba submersa, instalada a 2,5 metros de profundidade, no meio do rio Doce, que está com o nível 60 centímetros mais baixo que a régua de medição do nível da água.

A esperança é a de que essa bomba (que custou R$ 590 mil), junto com outras as acopladas a uma balsa alugada em Ipatinga, no Vale do Aço, amenize o problema até a chegada da chuva. Para levar a água até os filtros da ETA Central, foi construída uma passarela para passar a tubulação.
Moradores de bairros altos esperam socorro de caminhão-pipa
Vários bairros de Governador Valadares estão sem abastecimento. Quando a equipe do Hoje em Dia chegou nessa segunda (26) ao Altinópolis, encontrou o aposentado Francisco de Assis, de 54 anos, perambulando com um galão vazio na mão.

O bairro é um dos mais elevados e um dos mais afetados: está sem água há pelo menos quatro dias. “Falta até para beber”, diz Assis, que, por ironia, é vizinho a um reservatório do SAAE com capacidade para 4 milhões de litros.

“Está vazia. Alguém acredita nisso?”, lamenta. Nessa segunda (26), o aposentado foi à sede do SAAE pedir a visita de um caminhão-pipa para a rua, mas voltou frustrado.

Alem de uma fila de espera, a preferência é de hospitais, escolas e creches. O colégio do bairro, por sua vez, anda fazendo adequações para não dispensar as crianças mais cedo ou suspender as aulas. Brincadeiras que fazem suar e dão sede estão proibidas.

De acordo com o SAAE, caminhões-pipa estão trabalhando em três turnos para atender à população em geral, mas, nessa segunda (26), em especial, pelo menos na parte da manhã, atenderam prioritariamente hospitais e escolas.

“Com todas as medidas, o SAAE espera conseguir voltar a tratar pelo menos 900 litros de água por segundo. Mas é bom lembrar que, depois disso, ainda leva cerca de cinco dias para que todos os reservatórios encham e a situação se normalize para a população, que deve continuar a economizar água”, avisou a autarquia, por meio de nota.