Belo Horizonte entrou nesta quarta-feira (27) no terceiro dia de flexibilização parcial do comércio, mas um item apontado pela prefeitura como essencial para a reabertura dos estabelecimentos segue em falta: o álcool em gel nos ônibus. O produto é capaz de matar o vírus que provoca a Covid-19 e, por isso, o Executivo determinou que os coletivos só podem circular na capital se o mesmo for disponibilizado.

No entanto, a medida continuava sendo descumprida. Nesta quarta, a reportagem do Hoje em Dia encontrou veículos do transporte público sem o álcool. A ausência, conforme especialistas, é fator de risco para a transmissão do novo coronavírus e até de outras enfermidades, como a gripe.

O infectologista Sidnei Rodrigues observou que, nesta época do ano, é comum a disseminação de doenças respiratórias. "Ao espirrar, tossir ou limpar o nariz escorrendo, a pessoa utiliza a mão, e isso favorece que o coronavírus e outros que ficam onde o passageiro toca, como no corrimão, se esmpalhem", explicou.

Com os ambientes contaminados, a chance de transmissão das doenças aumenta significativamente. "Com certeza é um fator que pode facilitar a disseminação, principalmente para a população de baixa renda, que é a que mais utiliza o transporte coletivo", avaliou. O ideal é usar o álcool em gel ao entrar e sair dos veículos.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH) informou que precisa de pelo menos cinco dias úteis para instalar os reservatórios com o produto nos coletivos - ou seja, até sexta-feira (29),  considerando segunda-feira como o primeiro dia da flexibilização. O decreto que estipulou a regra foi publicado no sábado (23). Parte da frota já foi adequada. Alguns veículos, inclusive, foram vistos rodando conforme prevê a norma municipal.

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Veículos ainda estão circulando sem o álcool em gel

A BHTrans disse que eventuais descumprimentos serão autuados conforme as regras previstas nos contratos. Questionada sobre qual seria a punição, a empresa não se pronunciou. A lei assinada pelo prefeito Alexandre Kalil também determinou a instalação de adesivos dentro dos coletivos, indicado a distância segura para os passageiros transportados em pé. O Setra garantiu que toda a frota conta com a sinalização.

Irregularidades

A doméstica Roselânge Aparecida dos Santos Alves, de 50 anos, utiliza o transporte coletivo todos os dias e ficou decepcionada com a falta de álcool em gel. "Iria ajudar a prevenir o coronavírus", disse. Apesar de o produto não estar disponível, ela elogiou a presença dos adesivos. "Achei boa a ideia, bom que conscientiza a cada um a fazer sua parte".

Quem teve sorte de achar o álcool em um ônibus foi a cozinheira Cleide Ferreira de Paula, de 49. Ao embarcar em um veículo da linha 4103, ela higienizou as mãos. "É mais seguro. Muita gente anda de ônibus. Tomara que continue assim em todos".

Além do álcool e do adesivo, a PBH também tornou obrigatório ou suo da máscara de proteção, tanto pelos motoristas quanto passageiros. Porém, ainda há quem insista em desrespeitar a regra fazendo o uso de forma errada. Nos coletivos e em algumas estações, a reportagem encontrou usuários com os equipamentos no pescoço ou até mesmo sem o acessório.