Usuários das estações do Move em Belo Horizonte reclamam da falta de linhas alimentadoras responsáveis pela ligação entre os terminais e bairros. Filas intermináveis e veículos com bastante passageiros fazem parte da rotina de quem utiliza os terminais Vilarinho, em Venda Nova e Pampulha, na mesma região. 
 
Após às 22h, fora do horário considerado de maior movimento (entre 17h e 20h) , usuários esperaram por mais de 40 minutos até a chegada do transporte. “O Move até otimiza o tempo de deslocamento, mas quando chegamos aqui temos que encarrar as filas e ônibus abarrotados”, disse o bancário Lucas Ezequiel Marques Souza, de 22 anos. 
 
Segundo os passageiros, todos os dias os ônibus que atendem as estações saem dos terminais lotados. Os deslocamentos para os bairros, que antes do novo sistema de transporte, duravam cerca 45 minutos, passou a registrar até uma hora e vinte minutos dependendo da localidade, conforme informações dos passageiros. 
 
A consultora de vendas Fabiana dos Santos, de 35 anos, conta que a volta para casa se tornou um tormento. “Gasto mais tempo esperando ônibus do que indo para a casa. Essa integração deixa nossas viagens com o tempo de espera muito grande”. 
 
Espremidos e dependurados em portas, os usuários do transporte público disputam espaço para a volta para casa. “Todo dia vou espremida na porta. Tenho medo que aconteça um acidente. O número de ônibus não comporta a demanda”, disse a estudante Luciene Leite. 
 
Para a auxiliar administrativa Cleide Martins, de 27 anos, maior dificuldade está no trecho que atende os bairros. “Se não tiver investimento no transporte que atende os bairros, o Move não será de valia para quem precisa do transporte público”, disse. 
 
Por meio de nota, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) reconheceu a necessidade de aumento das linhas alimentadoras. A empresa disse que irá realizar as alterações e reforço no quadro de ônibus rapidamente, porém não informou quando as medidas serão implantadas. 
 
SEGURANÇA 
 
A falta de segurança nos terminais das estações do Move também é motivo de reclamação. No período da noite, a falta de vigilância nas estações do Move deixa os usuários do transporte público apreensivos. “Somente no dia da inauguração eu vi segurança. Depois disso não há nenhum vigia”, disse a vendedora Eva Lopes, de 50 anos. 
 
Estudantes que fazem bagunça nos terminais é outra queixa dos usuários do sistema de transporte. “Por várias vezes esses jovens chegam fazendo baderna e não vejo ninguém para controlá-los ou trazer ordem”, disse a universitária, Raiane Ferreira de Sousa, de 24 anos. 
 
Sobre a segurança, a BHTrans disse que no período noturno, agentes e vigilância armada, contratados pela empresa, fazem a segurança nas estações do Move.