GOVERNADOR VALADARES – Quase dois meses depois que médicos ortopedistas entregaram carta de demissão no Hospital e Maternidade Vital Brazil (HMVB) em Timóteo, no Vale do Aço, pacientes que buscam a especialidade médica na cidade precisam peregrinar por hospitais da região em busca de atendimento. Em alguns casos, para conseguir a consulta é preciso chegar de madrugada nas unidades médicas que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Foi o caso do motoboy Marcelo Oliveira, de 30 anos, que saiu de Timóteo e procurou atendimento na vizinha Ipatinga. Com dores na coluna por causa de uma acidente de trânsito, ele precisou aguardar cerca de quatro horas para conseguir ser atendido. “Saí de casa bem cedo, ainda estava escuro. Mesmo com todos os problemas tive sorte e consegui voltar para casa depois de ser consultado. Teve paciente que não aguentou esperar e foi embora”, contou.

A dona de casa Tárcia Silva, de 54, também precisou recorrer a unidade médica fora de Timóteo para ser atendida. As dores no braço, provocada pela queda quando limpava as janelas de casa, obrigou a mulher a procurar atendimento médico. “Como já sabia da situação do Vital Brazil, fui logo para Ipatinga. Mesmo assim demorou muito para eu ser atendida”, disse.

Sem condições

Os serviços de ortopedia do HMVB foram suspensos pela direção da unidade depois que cinco médicos ortopedistas solicitaram o desligamento da unidade alegando péssimas condições de trabalho, provocadas pelo aumento da demanda de atendimento.

Na época, o médico da gestão de qualidade do Vital Brazil, Alysson da Silveira Campos, disse que o problema não era salarial e sim estrutural, indicando que o número de atendimento na unidade passou dos 4 mil mensais para 8 mil.

O inchaço tinha como justificativa o fechamento do antigo Hospital Siderúrgica em Coronel Fabriciano, que foi reaberto há duas semanas. Hoje, a diretora do Vital Brazil tem novo encontro com o ortopedista para tentar contornar a situação.