Sol. Esta é a recomendação dos médicos para os pacientes com déficit em vitamina D. Isso porque o nutriente dificilmente é adquirido por meio da alimentação e apenas a exposição ao sol, sem uso de filtro solar, é capaz de produzir a vitamina no organismo. Mas é claro que tudo tem que ser dosado, afinal, a exposição excessiva aumenta os riscos de câncer de pele.
 
Segundo o dermatologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Claudemir Aguilar, a falta de vitamina D está cada vez mais comum, especialmente entre as mulheres. "Atualmente, as pessoas não têm muito tempo e, aquelas de pele clara, têm sido orientadas a usar o protetor solar o tempo todo, o que é outra fonte de déficit de vitamina D".
 
É o caso da professora Eliana Luzia Ramos de Castro. Em função da rotina apertada, ela quase não tomava sol e descobriu, há cerca de oito meses, o déficit de vitamina D. "É muito difícil tomar sol porque a gente corre tanto e, as vezes, não encontra tempo", afirma. Além disso, ela usa protetor solar diariamente.
 
Aguilar explica que a proteção, ainda que de baixo fator, bloqueia os raios ultravioleta B (UVB), que são essenciais para absorção da vitamina D pelo organismo. Além disso, ele acrescenta que esses raios solares são cumulativos, ou seja, é preciso se cuidar desde novo para evitar a deficiência da substância em idade mais avançada.
 
No caso de Eliane, a recomendação médica foi tomar sol diariamente nos pés, para que no caso de surgir alguma mancha ela fosse facilmente notada, e após às 10 horas. "É interessante porque fui em dois médicos que disseram a mesma coisa: que eu precisava tomar  o sol que é considerado ruim, ou seja, entre 10 e 17 horas", contou.
 
Apesar de parecer estranho, a informação é confirmada pelo dermatologista Claudemir Aguilar. "O ideal é o sol ruim para o câncer de pele, ou seja, entre 10 horas e meio-dia. Então, para evitar o risco de neoplasias, recomendamos que a pessoa tome sol pelo menos três vezes por semana entre 9h30 e 10 horas", explica. Mas bastam 15 ou 20 minutos por dia, alerta o especialista.
 
Além do sol, alguns casos são tratados apenas com repositor vitamínico, especialmente, quando o déficit ainda é baixo. Foi o que ocorreu com a aposentada da Cemig, Rosângela Maria Martins Foreaux, diagnosticada com o problema por meio de um exame de sangue. Somente o suplemento conseguiu suprir a falta do nutriente no organismo.
 
O consumo de peixes também contribui para o tratamento e prevenção da doença, já que o alimento é uns do que possui maior índice de vitamina D. Entretanto, o corpo humano só absorve 10% da substância proveniente de alimentos. O restante é produzido pelo próprio organismo, quando exposto alguns minutos à luz solar.
 
Consequências
 

Segundo o médico Claudemir Aguilar, o déficit de vitamina D no organismo pode desencadear outros problemas de saúde. Isso porque o nutriente ajuda a fixar o cálcio nos ossos e ativa o sistema imunológico. Ela estando em baixa ficamos mais expostos e vulneráveis a outras doenças.
 
Também a falta da substância aumenta o risco da pessoa desenvolver osteoporose e, de modo geral, contribui para elevar o risco de câncer. Alguns estudos relacionam a deficiência da vitamina D a doenças crônicas, mas nada ainda foi comprovado.
 
Polêmica
 
A exposição ao sol para repor a vitamina D, porém, não é consenso entre os especialistas. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alega não haver estudo que comprove a deficiência da substância com o uso excessivo e diário de fotoprotetores.
 
Para o órgão, a exposição solar intencional, sem o uso do protetor, não deve ser considerada como fonte de produção da vitamina. A SBD esclarece que, no Brasil, uma exposição não intencional em qualquer ambiente externo, por dez minutos, e somente nas mãos e no rosto, já é suficiente para produção de vitamina D necessária para o corpo.
 
Por isso, além do uso constante do filtro solar, a recomendação é usar roupas e chapéus para inibir os raios solares e evitar tomar sol nos horários considerados críticos, entre 10 e 15 horas.