A implantação dos estacionamentos subterrâneos na Savassi, programada para o segundo semestre deste ano, está bem longe de ser concretizada. Enquanto os trâmites de licitação e obras não seguem em frente, o comércio de uma das regiões mais nobres da capital amarga quedas nas vendas e no número de frequentadores.

A tentativa de construção dos empreendimentos fracassou três vezes por falta de interessados. De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o edital está em fase de elaboração, mas ainda não há data prevista para lançamento.

Realidade

Para a empresária Cláudia Castro, proprietária de uma loja de roupas, a falta de vagas para estacionar afeta diretamente o faturamento do comércio. “Percebi uma queda de 40% nas vendas. Tenho clientes que preferem os shoppings do que vir à Savassi sem carro”, conta.

“Muitos clientes estão abandonando o comércio da região devido à dificuldade de parar. Isso provoca a queda nas vendas”, avalia o gerente de uma loja de utensílios domésticos, Gustavo Batista.

O administrador Pedro da Silva Camargos evita a Savassi pela falta de vagas. “Nunca consigo vaga no rotativo e até fora do horário de pico o fluxo de veículos é carregado. Fico desestimulado a prestigiar o comércio local”, relata Pedro, que acredita que as vagas subterrâneas iriam garantir fluidez ao trânsito.

Uma preocupação dos comerciantes da Savassi é que, caso o projeto vingue, as obras comprometam a vida comercial da região. “Nosso receio é que esta construção vire um transtorno e mate o comércio da Savassi”, afirma a presidente da Associação de Moradores e Lojistas da Savassi (Alsa), Maria Auxiliadora Teixeira de Souza.

Projeto

Mesmo com futuro incerto, os endereços para os primeiros estacionamentos subterrâneos já estão definidos: Savassi (ruas Antônio de Albuquerque e Paraíba), entorno do Fórum Lafayette, área hospitalar, avenida Álvares Cabral e Praça 7.

Atualmente, esses locais têm cerca de 17 mil vagas. Com o rotativo, as posições são ampliadas para 90 mil, já que mais de um veículo para em uma mesma vaga durante o dia.

Segundo a PBH, as obras dos três primeiros estacionamentos devem ocorrer em até 300 dias após a assinatura do contrato. Nos outros dois, em até 600 dias. O prazo previsto para execução das obras de cada estacionamento é de 540 dias.

Investimentos em transporte público podem melhorar trânsito

Além do estacionamento subterrâneo, o investimento em transporte público é uma opção para melhorar a fluidez no trânsito da região e atrair mais frequentadores para o local.

“As novas vagas são válidas, mas investir em ônibus de qualidade e no sonhado metrô seria a melhor opção para que o trânsito desafogasse na região, o que melhoraria as vendas do comércio”, acredita o coordenador do Conselho da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Savassi, Alessandro Runcini.

O especialista em engenharia de transportes e geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Nilson Tadeu Nunes afirma que a retirada dos estacionamentos das vias públicas é uma tendência mundial. “Nos países desenvolvidos já é uma realidade, o que estimula o transporte público de qualidade”.

A BHTrans informou, em nota, que elaborou um plano de mobilidade, que prevê um conjunto de intervenções estruturantes de mobilidade, entre elas, estimular a população no uso do transporte público e de bicicletas. Além disso, a empresa ressaltou que a implantação do Move na região contribuiu com a melhora do trânsito.

Nesta quarta-feira (18), uma audiência pública na Câmara Municipal irá discutir a necessidade de construção dos estacionamentos subterrâneos na capital.