Uma batalha nos tribunais tenta viabilizar equipamentos de segurança individual para profissionais de serviços essenciais em Minas Gerais. Estão no centro das ações agentes comunitários de saúde e de endemias, guardas municipais e policiais militares. Porém, basta andar pelas ruas de BH para encontrar motoristas de ônibus, garis, operários e funcionários de supermercados sem máscaras, atendendo clientes e trabalhando perto de outras pessoas sem a proteção física que reduz as chances de contaminação.

A falta desses insumos levou a prefeitura da metrópole a deixar agentes de saúde em casa por dois dias – quarta-feira e ontem. A decisão foi tomada após a Justiça conceder liminar favorável à categoria, na terça. No documento, foi definido o fornecimento do acessório e de álcool que pode ser diferente do gel, mas com a mesma eficácia.

“Mais do que nunca, todos os profissionais na linha de frente ou no apoio devem estar protegidos, principalmente depois que o Mandetta (Luiz Henrique, ministro da Saúde) declarou para todo mundo usar algum tipo de máscara”, frisou Israel Arimar, presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos de Belo Horizonte (Sindibel).

Sem equipamento de proteção, alguns profissionais são até impedidos de entrar nas casas. Aconteceu com agente comunitária de saúde que trabalha há dez anos na capital. “A orientação é manter um metro de distância, mas o morador nos questiona, diz que estamos vindo do posto, local onde circulam pessoas com o vírus”, contou a mulher, que não quis ser identificada.

Em nota, a PBH informou que iniciou processo de compra das máscaras para a categoria, em cumprimento à decisão judicial. A dificuldade estaria na falta do produto no mercado.

O texto diz ainda que agentes de combate a endemias e comunitários de saúde estão em sobreaviso, “exceto os que atuam com leishmaniose visceral, castração de cães e gatos, controle de raiva, vistorias em potenciais criadouros do Aedes aegypti e monitoramento de ovitrampas, que dispõem de proteção individual”.
O Executivo, porém, não informou quando chegam os equipamentos e como ficará a jornada dos servidores na próxima semana.

Distribuição
Já os policiais militares devem receber máscaras nos próximos dias, segundo informe repassado às unidades, disse uma fonte ligada à corporação. A distribuição começa pela capital e cidades com grande número de casos da Covid-19.

A categoria também foi beneficiada por mandado de segurança coletivo, de 26 de março, após a Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas (Aspra) acionar o tribunal por EPIs para o efetivo.

Presidente da entidade, o sargento Marco Antônio Bahia reconhece que os agentes de segurança têm especificidades. “O policial não vai ficar 24 horas com a máscara, não vai atender roubo com o acessório. Temos protocolo, como manter dois metros de distância, mas para casos com suspeita de coronavírus, a proteção é essencial”.

Em nota, a PM esclarece que distribuiu álcool em gel para as guarnições do Estado e iniciou fornecimento de máscaras. “Além disso, divulgamos para a tropa vídeos com orientações sobre assepsia não só da viatura, mas de todo o fardamento”.