As famílias de classe média estão sendo as mais impactadas pela Covid-19, neste momento em que há uma elevação de casos confirmados de infectados. Essa é a constatação do professor e médico pneumologista Júlio Abreu, de Juiz de Fora, na Zona da Mata. Uma amostra disso é que a rede hospitalar privada sentiu primeiramente o crescimento nas internações.

De acordo com o médico, no início da epidemia, as classes econômicas mais baixas foram as mais afetadas, especialmente porque os trabalhadores mais pobres têm atividades presenciais, em sua maioria, e por usarem mais o transporte público.

Dessa vez, a dinâmica da epidemia está diferente. “Agora todo mundo parou de usar a máscara e a classe média passou a fazer confraternizações, jantares e festas de família. O vírus encontrou uma situação perfeita e entrou nas casas de maneira transgeracional. O neto chega em casa com o vírus e passa para o pai e o avô”, explica Abreu.

O médico explica que a classe média conseguiu, de maneira geral, se proteger do novo coronavírus, com isolamento social, home office e evitando visitas familiares. Mas, conforme as pessoas voltaram a encontrar amigos e parentes, o vírus passou a contaminar famílias inteiras.

“Quando as pessoas estavam usando máscaras, a contaminação gerava casos leves da doença. Mas agora os jovens estão se reunindo em festas sem máscara. O jovem chega em casa com uma grande carga viral do coronavírus e transmite para os familiares, que podem acabar tendo sintomas graves”, diz o médico.

Abreu conta que tem atendido famílias inteiras com a doença, sendo que os homens costumam ter mais chances de ter agravamento do quadro clínico. Como a transmissão do vírus é mais fácil entre pessoas que vivem na mesma casa, as festas de fim de ano podem significar um crescimento ainda maior da epidemia. “Eu prevejo que a situação será ainda mais grave em janeiro, por causa de Natal e Ano Novo”, afirma.

Para o professor, é importante que as pessoas aprendam a não deixar o vírus se espalhar entre familiares. “Caso alguém comece a sentir sintomas, o ideal é que já use máscara em casa mesmo, para não passar o vírus para os parentes. Se divide o quarto, o ideal é a outra pessoa saia do cômodo”, explica.

Para Abreu, também é fundamental que a pessoa diagnosticada com Covid avise todos amigos, parentes e colegas com quem teve contato nas últimas 48 horas para que todos comecem a tomar os cuidados de prevenção. “Tem que avisar para que todo mundo use máscara, mesmo que esteja em casa, até saber se está infectado ou não”.

Confira vídeo do professor Abreu sobre como a Covid tem atingido famílias inteiras neste momento:

 

Leia mais:
É segunda onda? Entenda como especialistas classificam o novo aumento de casos de Covid
Taxa de transmissão do coronavírus está em nível de alerta há 10 dias; BH já registra 52 mil casos