Representantes de famílias de vítimas de síndrome nefroneural, possivelmente provocada por intoxicação por dietilenoglicol  após consumo de cervejas da marca Belorizontina, enviaram uma nota à imprensa afirmando que a Cervejaria Backer está descumprindo a ordem judicial de custeio emergencial - especialmente sobre gastos com atendimento médico-hospitalar.

Segundo o advogado André Couto, no dia 17 de março, a empresa custeou o primeiro mês de gastos de uma das vítimas, deixando as outras famílias desamparadas. “E para fazer tal custeio, não necessitou de vender nenhum de seus bens, demonstrando ter possibilidade de fazer tal custeio independentemente de vender qualquer um de seus bens”, afirmou, por meio de nota.

A Backer, por outro lado, nega a afirmação e diz que bens da empresa estão sendo usados para arcar com custos das despesas médicas das famílias. De acordo com a cervejaria, a prova disso está na decisão do juiz Sérgio Henrique Cordeiro Caldas Fernandes, da 23ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, do dia 2 de abril, referente a uma ação movida pelo Ministério Público em nome de familiares de 13 pacientes.

A empresa informa que o texto jurídico mostra que bens da empresa foram bloqueados para “custear despesas médicas não cobertas pelos planos de saúde, bem como assistência aos familiares de pessoas que apresentaram exame toxicológico ou relatório médico indicativo da intoxicação e comprovante de despesas”.

“O despacho explica que a Justiça vai indicar a fonte do custeio, entre os bens da empresa, e liberar os valores, ‘na medida em que as despesas indenizatórias se apresentarem, documentadamente”, diz a empresa.

Inquérito

A Polícia Civil informou, esta semana, que a pandemia do coronavírus não interrompeu as investigações sobre as intoxicações pela contaminação da cerveja artesanal Backer e que o inquérito já chega a 1700 páginas.

Quarenta e duas pessoas constam como vítimas de intoxicação por dietilenoglicol. Em quase três meses, 66 pessoas prestaram depoimentos na 4ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte.

As investigações começaram no dia 5 de janeiro deste ano, quando consumidores procuraram a polícia relatando reações orgânicas após ingerir cerveja Belorizontina. Em seguida foi instaurado o inquérito após o exame nas amostras da bebida apresentar resultado positivo para o dietilenoglicol, substância causadora da síndrome nefroneural.