Rosas brancas, velas e abraços. Assim, familiares de vítimas e desaparecidos do rompimento da barragem da Vale, na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho foram recebidos na Igreja Matriz de São Sebastião. A celebração, presidida pelo arcebispo metropolitano Dom Walmor Oliveira Azevedo, ocorreu na noite desta quinta-feira (31). 

Mais de 400 pessoas, entre parentes e populares, lotaram o centro religioso e foi preciso fechar a rua Aristides Passos, devido a aglomeração de fiéis na via. 

Voluntário do Rio de Janeiro, que chegou hoje a Brumadinho, o ambientalista Daniel Lima, de 43 anos, pretende ficar no município até a próxima semana. Ele era um dos que ofereciam rosas e abraços às vítimas. “Queremos trazer conforto a eles. Mostrar que nós somos solidários ao que aconteceu. É uma tragédia que abalou não só Brumadinho, mas todo o Brasil”, disse. 

A biomédica Aline Voltera, de 36 anos, é moradora de Brumadinho e perdeu familiares na tragédia. Ainda assim, ela se disponibilizou a levar carinho a quem lamentava a morte de um ente. “Estou aqui para mostrar para essas pessoas que não estão sozinhas. Elas terão o nosso apoio para lutar pelos direitos de cada um que foi morto neste crime”, desabafou. 

Rosângela Maria de Passos, de 53 anos, enterrou o corpo do filho, de 33 anos, na terça-feira (29). Ele era funcionário de uma empresa terceirizada. Rosângela também  perdeu a irmã, de 56, que trabalhava na mesma empresa. O corpo, no entanto, ainda não foi encontrado. “A minha tristeza ninguém pode imaginar. Eu não quero dinheiro de ninguém. A única coisas que eu peço é respeito das empresas e do governo. O meu filho, a minha irmã, viraram estatísticas, serão substituídos. Mas e quem virá para substituir eles? Também vão morrer desse jeito?”, questionou. 

Respeito ao povo mineiro

Antes da missa, o arcebispo Dom Walmor falou à imprensa e pediu respeito aos mineiros e aos familiares das vítimas. O religioso ainda classificou as tragédias de Bento Rodrigues, em 2015, e Brumadinho, na semana passada, “de catástrofe e crime”. Ainda segundo ele, a Igreja Católica e todas instituições da sociedade devem lutar para que a legislação ambiental seja revista no estado. “Às famílias que estão profundamente machucadas e não encontraram seus entes queridos, deixo uma palavra de esperança e peço que confiem em Deus”, disse. 

Dom Walmor ainda disse que vai procurar o executivo estadual e os deputados eleitos, que tomam posse nesta sexta-feira (1º) na Assembleia Legislativa para conversar sobre a legislação ambiental. “Precisamos compreender que é preciso traçar um novo caminho. Faremos isso como igreja, pelo dever que temos de ajudar no aprendizado dessa lição, e de prevenir que novas vidas venham a se perder”, justificou. 

Serra da Piedade

O projeto de ampliação da área de extração de minério na Serra da Piedade, que começou a ser analisado pela Secretaria de Estado Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) na semana passada, foi lembrado criticado durante a missa. Em uma mensagem lida, a Arquidiocese de Belo Horizonte pediu que “a Serra da Piedade seja abençoada, respeitada e zelada”. 

A inconformidade com a proposta por parte da entidade é justificada pela presença do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade no topo da serra.