Índices de segurança das barragens de Germano e Santarém, divulgados na semana passada pela Samarco, não servem mais de parâmetro para medir a integridade das estruturas. Segundo especialistas, a chuva intensa dos últimos dias e o surgimento de erosões, dentre outros fatores, podem ter afetado ainda mais a estabilidade das barreiras de rejeito de minério.

No dia 17, a mineradora reconheceu que as barragens apresentavam segurança abaixo do patamar recomendado, que é de 1,5. O dique em pior situação era o de Selinha, da barragem de Germano, a maior do complexo, com grau 1,22. A de Santarém tinha nível 1,37.

Para o diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), André Luiz Lopes da Silveira, o rompimento da barragem de Fundão, considerada até então segura pela empresa, provou que as referências técnicas não são confiáveis. “Usar esses valores antigos como indicador é temerário. Tem que zerar o jogo e fazer uma análise muito benfeita. Retirar amostras, verificar deslocamentos, analisar os conteúdo, ou seja, passar um pente-fino”.

Como medida de contenção, a mineradora trabalha no reforço das estruturas. No entanto, de acordo com um especialista, que pediu para não ser identificado, seria necessária a criação de áreas de segurança para esvaziar parte das estruturas no caso de um novo rompimento.

“Número não segura barragem e, por isso, é preciso pensar em um plano B. Um alternativa é a criação de válvulas, como de hidrelétricas, para retirar parte do volume. Também podem ser abertos buracos para direcionamento dos materiais”, afirmou.

Para o engenheiro e professor da Universidade Federal de Ouro Preto Hernani Mota de Lima, as medidas adotadas pela mineradora estão reduzindo o risco gradativamente, e as probabilidades de uma nova tragédia são mínimas. “O pior cenário é esse que a gente teve. A Selinha é um pequeno dique. O material que está retido não tem tanta água”.

Acompanhamento

Segundo Leandro Amaral, fiscal do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), equipes do órgão percorrem a área das barragens para avaliar os diques de sustentação. “Todos os três diques laterais estão com fator de segurança abaixo do normal”, salientou.
 
Trabalhadores de mina  vizinha temem ser atingidos
 
Funcionários da Mina de Fábrica Nova, da Vale, parte do Complexo Mariana, temem que um eventual rompimento da Barragens de Germano e Santarém possa atingir o local. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana (Metabase), Ronaldo Bento, parte da oficina da mina foi atingida pela lama da barragem de Fundão.

Nesta quinta (26), o sindicato realiza uma visita técnica na mina e poderá interromper os trabalhos, caso seja constatado risco para os funcionários.

Bento adiantou que a Samarco deverá apresentar as medidas adotadas no local e as intervenções previstas para garantir a segurança dos funcionários. “Não podemos deixar nosso trabalhadores descobertos. Caso ocorra um rompimento, a empresa precisa ter um plano de emergência”, afirmou.

Questionada sobre as medidas adotadas na mina, a mineradora não se posicionou até as 17h dessa terça (24).